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quarta-feira, 18 de julho de 2012

CABO ELEITORAL EM TEÓFILO OTONI

Não gosto de farmácia. Quando passo perto costumo nem olhar. Detesto remédio e posso garantir que tenho raiva de doença. Penso que a minha doença é ficar remoendo torturas da ditadura militar não ter um pouco de recursos financeiros para aprimorar minha cultura. Gostaria de falar espanhol, inglês, italiano, francês e ler bons livros. Felizmente, inventaram a Internet e assim consigo melhorar meus parcos conhecimentos. Minha mulher e meus filhos sempre questionam o meu não comparecimento a consultórios médicos, hospitais, postos de saúde, farmácias,etc.
Outro dia, quando visitei minha terra natal, tive a grata alegria de encontrar com meu velho amigo Arnô do "fumo". Arnô chegou a ser vereador em Teófilo Otoni, representando os feirantes e concessionários de bancas no tradicional mercado municipal. Arnô vendia fumo de rolo muito apreciado pelas bandas dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha.
Dizem os médicos, a ciência, os estudiosos do assunto, que o fumo mata. Tive um tio que morreu com noventa anos e fumava desde os 12 anos. O Arnô do fumo vendia fumo e nunca fumou. Dizem que ele anda muito adoentado. Como entender?
Arnô do fumo era cabo eleitoral de Dr. Petrônio Mendes. Um médico muito humano que foi prefeito de Teófilo Otoni. Dr. Petrônio foi perseguido e preso pela ditadura militar. Seu "crime" era ser popular, gostar de pobres e humildes, além de nunca cobrar consultas médicas. Para a ditadura militar, gente como Dr. Petrônio Mendes e meu pai Tim Garrocho, eram velhos comunistas.
Mas ai, como não tenho doença e você já deve estar questionando onde quero chegar com este texto meio doido, lembrei de outro cabo eleitoral de nome Pedro Paulo ou Pedrinho Jacaré. Ele fazia questão que o chamassem de PJ. Segundo ele, era codinome para despistar os órgãos de repressão. PJ chegou a ser candidato a deputado estadual. Isto mesmo, deputado!
Àquela época, diziam as más línguas que tanto Arnô do fumo e Pedrinho Jacaré não "batiam bem da cabeça". Eram dois "doentes" por política. Se eram, nunca me falaram...ou precisava?
Assim, na semana que vem, seguindo conselhos da minha esposa e meus filhos, vou entrar em contato com uma amiga minha que é psiquiatra. Já estou imaginando eu fixando meus "bagos" de olhos arregalados nela e ouvindo uma clássica pergunta: "Tudo em paz com você Téo?". Veremos...


Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado ao meu amigo e bom médico psiquiatra Walcir Costa( irmão de Barracão) em Teófilo Otoni-MG- Em 18/07/2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

GETÚLIO NEIVA, UM BOM CORAÇÃO

Conheço Getúlio Neiva desde a época em que ele cantava junto com um conjunto musical em Teófilo Otoni. Realmente, ele cantava muito bem e até hoje tem uma boa oratória. Eu nunca admirei Getúlio Neiva pelo seu jeito de cantar. Eu comecei a admirar Getúlio Neiva quando ele se formou em jornalismo e passou a criticar e combater a ditadura militar em âmbito nacional e local. Foi ai que descobri que nós não estávamos sós no Vale do Mucuri.
Quando digo nós, refiro-me ao povo sofrendo retaliações do regime opressor e companheiros que foram perseguidos, presos e torturados pela ditadura. Em Teófilo Otoni foram muitos e cito como exemplo meu pai Tim Garrocho, Dr. Petrônio Mendes, Nestor Medina, Oldack Miranda, Dalton Godinho, Sadoque, Mauro Esquerdo, Precioso dos Correios, Davi "Boca de Mula", Edson Soares e muitos outros aguerridos companheiros.
Lá pelos idos de 1972, quando criaram aquela famosa " Caravana da Esperança", eu, precocemente politizado, sentia que aquele jovem de cabelos longos, seria a esperança de que um dia Teófilo Otoni iria mudar para melhor. Quero deixar bem claro que nunca acompanhei aquela tal caravana e nunca acompanhei ou votei em Getúlio Neiva. Meus ideais estavam "mais á esquerda" de muitos que faziam parte daquela caravana. Mas, confesso que sempre admirei Getúlio Neiva pelo seu jeito de expressar suas idéias com austeridade. Assim passei a respeitar o político Getúlio Neiva.
O tempo passou. Getúlio Neiva foi prefeito, deputado, etc. Penso que Deus,o arquiteto do universo, só nos proporciona o que merecemos e o que é justo. O pai de Getúlio Neiva, senhor Agnaldo Neiva, era muito amigo do meu pai Tim Garrocho. Quando ele visitava meu pai no nosso velho casarão e vendo meu pai passar por sérias dificuldades, ele falava: "Não desespere meu amigo Tim, Deus é justo e perfeito". Hoje, após tanto sofrimento que nossa família passou, relembramos as palavras do senhor Agnaldo Neiva  e acreditamos firmemente que Deus é bom, justo e perfeito.
Quando penso em justiça, lembro de uma obra feita por Getúlio Neiva que nunca esqueci. Aquelas escadarias nos morros e favelas de Teófilo Otoni. Toda vez que vou a Teófilo Otoni e ando pelos lugares mais humildes, imagino ser Getúlio Neiva possuidor de um coração bom e justo. Que o justo Deus, arquiteto do universo, ilumine sempre os caminhos de Getúlio Neiva, um bom coração!!!


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a Getúlio Afonso Porto Neiva, filho  
do saudoso Agnaldo Neiva em Teófilo Otoni. Em 17/07/2012- Barbacena-MG.

O HOMEM QUE CUSPIA FOGO EM TEÓFILO OTONI

Naquele cruzamento entre a Rua João Antonio e Frei Gonzaga, encontrei com meu velho amigo Serafim dos Anjos. Eu e Serafim fomos colegas no antigo Orfanato Coração de Jesus, onde hoje funciona uma Faculdade em Teófilo Otoni. Serafim era muito falador da vida alheia e muita gente dizia que quando ele abria a boca, "cuspia fogo".
Serafim deve ter a mesma idade minha, ou seja, deve estar chegando aos sessenta anos. Observo que Serafim parece sofrer com depressão. Olhar triste, muitas rugas no rosto, magro e cabisbaixo. Muitos amigos meus sofrem com depressão. Alguns já me confessaram ter essa tal depressão. Geralmente, aqueles banquinhos de praças públicas são ideais para confissões do sofrimento humano.
Não sou psiquiatra, mas, fico na minha simplicidade de intelecto, matutando o que leva o sujeito a sofrer tanto. Existem religiosos que dizem "ser o desejo material, a razão do sofrimento humano", outros dizem ser falta de Deus e outros mais dizem ser obra do maligno, rabudo, chifrudo e por ai vai.
Serafim, sentado ao meu lado, naquelas velhas escadarias da Rua Frei Gonzaga, diz que chegou á conclusão que "é um fracassado". Diz ainda que "não tem capital, perdeu a mulher para outro e sua única alegria é uma filha que se casou com um pedrista comprador e vendedor de esmeralda, uma pedra preciosa caríssima". Segundo ele, a filha ajuda-o com uma pequena mesada de cinquenta reais. " Dá para comprar cem gramas de fumo de rolo e um litro de pinga". Ele diz que bebe socialmente, uma antes do almoço e uma á noite para relaxar.
Confesso que achei uma miséria a mesada que recebe da filha. É bem provável que o genro pedrista forte não esteja sabendo da "mão de vaca" da sua esposa. Serafim diz que "está conformado" e é o "destino", "estava escrito", " foi Deus quem quis" e ponto final. Ele não quer  mais polêmica com ninguém. Diz que "sua língua cansou".
Ali, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Ao passar em frente á Praça Tiradentes, avistei uma multidão que batia palmas, muitas palmas para um artista popular de rua que "cuspia fogo de verdade pela boca". A língua cansada de Serafim de tanto caluniar as pessoas, deve ter tido ciúmes...


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo José Alfredo Brandão, grande poeta e escritor de Teófilo Otoni-MG- Em 17/07/2012, Barbacena-MG.



sábado, 9 de junho de 2012

DIA DE FINADOS EM TEÓFILO OTONI

"Cada doido com sua mania", diz um velho ditado popular. O saudoso senador Itamar Franco disse em uma entrevista: " Eu não sou doido. Se fosse doido eu teria ideia fixa". Como não entendo de loucura(ou entendo?), deixo esse negócio de loucura e ideia fixa para os psicólogos e psiquiatras.
Mas, o que tem haver loucura com dia de finados em Teófilo Otoni? Pois é, desde menino precoce nas minhas idéias sobre o mundo, venho como todo bom mineiro matutando sobre aquele "formigueiro" de gente saindo e entrando ao campo santo para uns ou Laborum Meta para outros.
Eu morava ali perto e já de manhã observava a caminhada do povo. Todo mundo arrumadinho e compenetrado. Para mim e a criançada do lugar nada de tristeza e só alegria carregando nas mãos inocentes aquela famosa flor amarela denominada cravo de defunto. Diziam que aquele cravo de defunto espantava até mau olhado. Cruz credo!
Lá pelas dez da manhã, a gente escalava a subida do famoso morro do cemitério. Pelo caminho, a gente encontrava vendedores de velas, flores, quitandas de vários tipos, roupas e até cachaça da boa. Curioso, eu observava que na entrada do cemitério, tinha vários pedidores de esmolas que se misturavam com batedores de carteira ( ladrão antigo), pastores evangélicos gritando o nome de Jesus, padre benzendo e jogando água benta no povo, políticos distribuindo santinhos e dando tapinha nas costas.
O tempo passou e também passei a entender melhor aquela movimentação na minha forma de crença e fé. Confesso que sinto muita saudade daquele tempo. Espero voltar um dia e tomar uma cachaça da boa. Quem sabe o efeito inebriante faria eu lembrar somente dos lindos cravos amarelos de defunto e daquelas mãos implorando ajuda numa pátria brasileira ainda tão desigual.
Ainda bem que mudaram a data das eleições para outubro. Assim não vou mais encontrar políticos dando tapinha nas costas do povo (inclusive a minha) e distribuindo santinhos. Eu poderia lembrar do Demóstenes. Cruz credo mais uma vez!!!


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ás minhas amigas lavadeiras de campas e jazigos no Cemitério Municipal de Teófilo Otoni. Em 09/06/2012. Barbacena-MG.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O MENINO DOS OLHOS ARREGALADOS

Aos sessenta anos, Antonio Rosendo, meu compadre que reside no Ribeirão das Almas no Vale do Jequitinhonha, confessa que voltou a ser menino. Eu até que tentei explicar ao meu bondoso compadre que é assim mesmo que acontece com todos nós seres humanos após certa época da vida terrestre, mas, meu compadre Rosendo sempre foi teimoso e contraditório. Nunca aceitou outro ponto de vista que não fosse o dele.
Segundo ele, virou um menino de olhos arregalados para tudo o que vê. Eu até quase acrescentei menino de olhos e ouvidos arregalados, mas, penso que ele já tinha resposta na ponta da língua e disse-me que tem escutado muito e falado pouco. Acho que meu compadre está, só agora aos sessenta anos, aprendendo a arte de ser mineiro.
Compadre me confidencia que poderá chegar aos setenta anos. Diz que escutou na TV que o brasileiro está vivendo mais e influenciado pela mídia, diz que será a melhor década da sua vida. Quer ver tudo que nunca viu e escutar tudo que nunca escutou. Os netos do compadre Rosendo dizem que ele está ficando caduco. Sera?
Ele diz que de agora em diante vai observar e tratar com mais carinho as crianças que ele sempre chamou de meninos chatos. Assim, quem sabe, os meninos chatos não o chamam mais de velho caduco. Ideia maravilhosa, pensei comigo, ainda que dúvidas pairam sobre minha mente em relação ao meu bondoso e polêmico compadre Rosendo.
Meu compadre diz também que vai soltar os passarinhos, vai cuidar do meio ambiente, vai fazer caminhada, vai parar de fumar aquele fumo "bão" de Araçuaí, vai perdoar os possíveis inimigos, vai fazer limpeza nos dentes, vai cortar o cabelo, barba e vai fazer paz com Deus.
Depois dessas afirmações de "um velho caduco", segundo as crianças, cheguei à conclusão que realmente meu compadre Rosendo está mudando e...para melhor.Segundo a criançada do lugar, ele "parece que tá com os zoios e os zuvidos mais reganhados".
Pois é, voltar a ser menino de novo não é fácil. Posso afirmar que faz um bem assim como a felicidade que não tem preço.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a Ernani de Oliveira, Filósofo, Historiador, Radialista. Um ícone da cultura da cidade de Teófilo Otoni-MG. Barbacena, 22/05/2012.

sábado, 19 de maio de 2012

VAGINA OU BU...CABELUDA

Ainda hoje lembro da fisionomia do Frei Matias, antigo diretor de disciplina do extinto colégio São José em Teófilo Otoni, onde fiz o antigo curso ginasial. Aquele colégio era dirigido por padres a exemplo do Frei Matias, Frei Conrado, Frei Cristovão e vários outros. No começo era só sexo masculino, depois veio o sexo feminino e ....virou a cabeça de muita gente, inclusive eu.
Durante quatro anos, confesso que estudei em um bom colégio que foi fundamental  na minha formação. Ao mesmo tempo em que aprendi desde cedo até onde iam meus direitos e deveres, aprendi ali também muita sacanagem e putaria, termos usados até hoje.
Eu lembro que era uma correria danada para ocupar os inúmeros banheiros que só tinham sapata para apoiar. Não havia vaso sanitário e o cara tinha que ficar de cócoras tipo "cagar no mato" e mesmo correndo era difícil encontrar vaga. Àquela época, os mais fortes fisicamente ocupavam tudo. Os mais magros, como eu, ficavam "a ver navios" e correndo o risco de urinar ou borrar nas calças.
Algum tempo depois, descobri que aquela demora era devido a prática da famosa "punheta" ou masturbação como queiram. Alguns denominam como "depenar juriti".
Pois bem, uma certa vez, escreveram em todos os banheiros a famosa e proibida "Buceta cabeluda" e o Frei Matias queria saber que foi o autor de tão audaciosa façanha àquela época. Castigou um daqui, outro dali e não adiantou. Ficou na base de autor desconhecido.
Outro dia," nestes tempos modernos", escutei uma jovem proferindo: "Ô caralho", "Vá tomar no seu cú", "Fudeu caracas" e etc.etc. Na minha época eram palavrões. Acredito que o Frei Matias, caso ainda esteja vivo, verá que aquela "buceta cabeluda" não era tão feia como se pensava.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado aos meus antigos companheiros do extinto colégio São José de Teófilo Otoni. Barbacena, em 19/05/2012

OS POLÍTICOS QUE CONHECI

Desde criança convivi no meio político. Meu pai sempre foi muito apaixonado por política e este sentimento fez com que nosso antigo casarão em Teófilo Otoni, recebesse políticos de várias tendências. Tenho um dom de Deus que é ter boa memória e sem citar nomes, vou relembrar neste texto o tipo de gente que presenciei em contato comigo e com meu pai, que, graças a Deus e princípios, nunca compactuou com as idéias nojentas de muitos deles.

Havia "espécie" de todo jeito. Um que dizia prometer tudo para ganhar eleição, outro que trocava um nota de dinheiro maior em várias notas de valor pequeno. Segundo ele para pagar cachaça para o povo. Este perdeu a eleição e num momento de desespero, disse: " O povo merece é taca".

Em Araçuaí, conheci um que no dia da apuração em que ele perdeu a eleição para um companheiro simples do seu partido, escutei a esposa dizer: "Como é que você perde eleição para um capiau igual a fulano?". Como se não existisse democracia e soberania do voto.

Em Teófilo Otoni, conheci um que foi eleito vereador. Certa vez entrei em um bar e ele, talvez sob o efeito  da cachaça, batia no peito e dizia para muitos humildes ali : "Eu sou o poder". Nunca mais ganhou eleição e
morreu pobre materialmente e espiritualmente. Conheci e conheço ainda um outro que tinha costume de andar de sandálias simples de dedo, abraçava todo mundo, vivia sorrindo para o povo. Ganhou, depois de várias tentativas a eleição para vereador. Nunca mais, nunca mais voltou ao convívio do povo. Foi e é uma
farsa...como muitos.

Conheci um Vice-Prefeito que só sabia dizer "não" para o povo e o povo foi se afastando. Parecia um rei sentado na eventual cadeira. Até que um dia o povo disse "não" para ele e seu partido e...a bastilha caiu. E falando em cair,  cansei de presenciar muitos que caíram do trono.

E para encerrar, vou relembrar com pesar( uma vergonha) que a direção de um partido de oposição (à época em 1996) pediu para eu não citar no meu pronunciamento em palanque que eu era filho de um ex. preso político, "pois poderia atrapalhar o partido".
Pensando bem, ser político com P maiúsculo no Brasil é para poucos, raríssimos!!!



Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao povo simples e amigo da Vila Verônica e Alto do cemitério em Teófilo Otoni, minha terra natal que nunca esqueci. Barbacena, 19/05/2012.