Zé Cabeludo era um boa praça que morava nas imediações do Corredor Gazinelli em Teófilo Otoni. Quando eu era rapazinho e visitava minha tia Julinha que morava na Vila São João perto da igreja de santo Antonio, eu costumava passar pelo Corredor Gazinelli para "cortar caminho" e chegar mais rápido.
Tem coisas que não entendo ou então sou esquisito mesmo. Como pode a igreja ser Santo Antonio e o bairro ser Vila São João? Pois ficou assim mesmo. Já minha tia Julinha era devota de São Geraldo e por sinal teve um filho muito inteligente, meu primo advogado Geraldo Magela Farias Garrocho.
Mas, voltando ao início do texto, conheci Zé Cabeludo quando eu cortava caminho pelo Corredor Gazzinelli. Só de avistar Zé cabeludo, dava um arrepio de medo. Diziam que ele era maconheiro " dos brabo" e naquela época, década de 70, maconha era coisa de filhinho de papai, play boy. Pobre só ficava alegre ou relaxava quando bebia cachaça.
De tanto o povo falar e caluniar Zé Cabeludo "maconheiro dos brabo", fez com que uma dupla de detetives muito famosa pelos cacetes que davam no povo ( principalmente os mais pobres) em época de ditadura, prender Zé Cabeludo para possíveis investigações sobre os rumores de que ele dava umas baforadas no "cigarrinho do capeta".
Dizem os mais antigos que Zé Cabeludo não ficou preso nem uma hora. Nem um tapa tomou da dupla torturadora. Diziam que Zé Cabeludo era muito amigo de um fazendeiro ali próximo. O fazendeiro tinha o costume de hospedar em sua fazenda um conhecido deputado federal e assim você já percebeu que Zé Cabeludo tinha "costa quente".
Aquele saco com substância esverdeada encontrada no quintal de Zé Cabeludo não passava de bosta de boi e não maconha como queriam as más línguas e a dupla de detetives. Zé Cabeludo continuou por muito tempo adubando o quintal de muito filhinho de papai com sua famosa bosta de boi.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado a Jorginho "maravilha", meu bom amigo de serenatas na década de 70 em Teófilo Otoni-MG. Em 09/10/2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
UM PINICO DE VOTOS EM TEÓFILO OTONI
Bem que tentei ajudar. Fiz cartinhas, escrevi textos no Blog, enviei santinhos, contatei antigos amigos e companheiros. etc.etc. Mas, como sempre diz meu bom amigo Pedro Caramujo, "a politica é complicada". Minha esposa diz sempre que meu pai é um homem justo, caridoso, tem passado e história, mas, ela acha que ele com seus 82 anos de vida, já não tem o mesmo vigor de outrora para encarar uma campanha politica. É provável que ela tenha razão. A idade pode ter interferido nos parcos votos que ele recebeu na urna eletrônica. Meu pai é do tempo da chapinha, alguém ai lembra?
Ontem, Pedro Caramujo veio visitar-me. Fomos trocar um dedinho de prosa embaixo de um pé de goiaba que tenho no meu quintal e onde fiz um banquinho para receber os bons amigos. Sempre gostei do jeito de expressar do Pedro Caramujo, ele me lembra um primo inteligente que tenho em Teófilo Otoni, um ícone da cultura que se chama Ernani de Oliveira. Eu e o Caramujo gostamos de tomar vinho. Após duas taças, eu e Pedro Caramujo começamos a sorrir das coisas do mundo terrestre. Coisas da terceira idade que alguns ou a maioria chama de caduco.
Falei sobre o resultado das urnas em Teófilo Otoni e o fraco desempenho do meu pai Tim Garrocho que teve apenas 129 votos. Isto mesmo. Sinceramente eu esperava mais um "tiquinho" para não passar vergonha, clamava minha alma interior. Não deu e quer saber de uma coisa: "Mais tem Deus para dar que o diabo para levar".
Após a segunda taça de vinho, meu amigo Pedro Caramujo esboça um sorriso de fazer inveja a muito garotão, abraçou-me e disse: "Olha velho Téo, com todo respeito, mas, seu pai não teve voto para encher um pinico".
Se fosse no tempo dos meus arroubos da juventude, eu teria partido para cima do Pedro Caramujo e soltava os cachorros. Preferi, com meus quase sessenta anos, lembrar de uma citação que diz: "Os sábios se calam", ainda que doa ouvir que meu pai teve um pinico de votos.
Desistir jamais, a luta, aliás, A VIDA CONTINUA COMPANHEIROS!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado aos 129 companheiros que não esqueceram de Tim Garrocho nas eleições de Teófilo Otoni. Muito obrigado a todos. Barbacena, em 9/10/2012
Ontem, Pedro Caramujo veio visitar-me. Fomos trocar um dedinho de prosa embaixo de um pé de goiaba que tenho no meu quintal e onde fiz um banquinho para receber os bons amigos. Sempre gostei do jeito de expressar do Pedro Caramujo, ele me lembra um primo inteligente que tenho em Teófilo Otoni, um ícone da cultura que se chama Ernani de Oliveira. Eu e o Caramujo gostamos de tomar vinho. Após duas taças, eu e Pedro Caramujo começamos a sorrir das coisas do mundo terrestre. Coisas da terceira idade que alguns ou a maioria chama de caduco.
Falei sobre o resultado das urnas em Teófilo Otoni e o fraco desempenho do meu pai Tim Garrocho que teve apenas 129 votos. Isto mesmo. Sinceramente eu esperava mais um "tiquinho" para não passar vergonha, clamava minha alma interior. Não deu e quer saber de uma coisa: "Mais tem Deus para dar que o diabo para levar".
Após a segunda taça de vinho, meu amigo Pedro Caramujo esboça um sorriso de fazer inveja a muito garotão, abraçou-me e disse: "Olha velho Téo, com todo respeito, mas, seu pai não teve voto para encher um pinico".
Se fosse no tempo dos meus arroubos da juventude, eu teria partido para cima do Pedro Caramujo e soltava os cachorros. Preferi, com meus quase sessenta anos, lembrar de uma citação que diz: "Os sábios se calam", ainda que doa ouvir que meu pai teve um pinico de votos.
Desistir jamais, a luta, aliás, A VIDA CONTINUA COMPANHEIROS!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado aos 129 companheiros que não esqueceram de Tim Garrocho nas eleições de Teófilo Otoni. Muito obrigado a todos. Barbacena, em 9/10/2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
CARTA A TIM GARROCHO, CANDIDATO A VEREADOR EM TEÓFILO OTONI 2012
Meu pai, que o justo Deus, arquiteto do universo, ilumine sempre seus caminhos. Desejo de coração que nossa mãe Laura tenha melhorado seu estado de saúde e também desejo que nossos irmãos e amigos estejam em paz.
Aqui em Barbacena, tudo em paz conosco. Minhas férias de trabalho seriam em setembro,mas, foram adiadas para o final do ano. Sonhei e até fiz planos para estar junto com o senhor na sua humilde campanha para vereador em Teófilo Otoni.
Sabe meu pai, a vida do senhor é verdadeiramente um extenso currículo. Penso que qualquer câmara municipal do Brasil, gostaria de ter um vereador chamado Tim Garrocho. Gostei daquela matéria que o jornal Estado de Minas citou seu nome como "um exemplo de vida". Lembra? aquela matéria que relatou as torturas que o senhor e outros companheiros sofreram nos porões da ditadura militar. Fiquei feliz quando citaram que o senhor é um exemplo de vida em Teófilo Otoni e ao mesmo tempo fiquei triste quando o senhor disse que "vomitou sangue quando tomou muitos socos e pontapés de um certo torturador da ditadura militar".
Meu pai, o tempo passa e fico me questionando até hoje o porque de tanta injustiça que já fizeram com o senhor. Prefiro deixar fluir em meus pensamentos aquelas frases que o senhor sempre disse para nós seus filhos e seus milhares de amigos em Teófilo Otoni: "Deus sabe o que faz", "Amanhã será um novo dia", "O senhor é o nosso pastor e nada nos faltará".
É verdade meu pai, Deus e seu filho amado Jesus Cristo tem sido um bálsamo para todos nós. São tantas as feridas e cicatrizes em nós, que o bálsamo Jesus Cristo vai precisar estar sempre ao nosso lado e nós fielmente estaremos sempre, sempre dando glória a ele.
Neste momento estou no trabalho. São 3 horas da madrugada. Entrei ás 7 horas da noite e vou para casa ás 7 horas da manhã. São 12 horas de trabalho nas madrugadas frias de Barbacena e ainda assim, cansado, tirei um tempinho para falar com Deus que nós te amamos muito meu pai.
Se tudo der certo, se for da vontade de Deus e do bom povo de Teófilo Otoni, espero estar presente na sua posse como vereador eleito em Teófilo Otoni. Perdoa se eu chorar...será de alegria e agradecimento a Deus e ao povo da nossa querida terra natal que tanta saudade trás á minha humilde vida de trabalhador.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu pai Tim Garrocho, candidato a vereador em 2012 em Teófilo Otoni, PTB- Número 14.345. Dedico este texto também a uma pessoa que me ensinou que: " As estrelas brilham e enquanto elas brilharem, haverá esperança na vida".
Aqui em Barbacena, tudo em paz conosco. Minhas férias de trabalho seriam em setembro,mas, foram adiadas para o final do ano. Sonhei e até fiz planos para estar junto com o senhor na sua humilde campanha para vereador em Teófilo Otoni.
Sabe meu pai, a vida do senhor é verdadeiramente um extenso currículo. Penso que qualquer câmara municipal do Brasil, gostaria de ter um vereador chamado Tim Garrocho. Gostei daquela matéria que o jornal Estado de Minas citou seu nome como "um exemplo de vida". Lembra? aquela matéria que relatou as torturas que o senhor e outros companheiros sofreram nos porões da ditadura militar. Fiquei feliz quando citaram que o senhor é um exemplo de vida em Teófilo Otoni e ao mesmo tempo fiquei triste quando o senhor disse que "vomitou sangue quando tomou muitos socos e pontapés de um certo torturador da ditadura militar".
Meu pai, o tempo passa e fico me questionando até hoje o porque de tanta injustiça que já fizeram com o senhor. Prefiro deixar fluir em meus pensamentos aquelas frases que o senhor sempre disse para nós seus filhos e seus milhares de amigos em Teófilo Otoni: "Deus sabe o que faz", "Amanhã será um novo dia", "O senhor é o nosso pastor e nada nos faltará".
É verdade meu pai, Deus e seu filho amado Jesus Cristo tem sido um bálsamo para todos nós. São tantas as feridas e cicatrizes em nós, que o bálsamo Jesus Cristo vai precisar estar sempre ao nosso lado e nós fielmente estaremos sempre, sempre dando glória a ele.
Neste momento estou no trabalho. São 3 horas da madrugada. Entrei ás 7 horas da noite e vou para casa ás 7 horas da manhã. São 12 horas de trabalho nas madrugadas frias de Barbacena e ainda assim, cansado, tirei um tempinho para falar com Deus que nós te amamos muito meu pai.
Se tudo der certo, se for da vontade de Deus e do bom povo de Teófilo Otoni, espero estar presente na sua posse como vereador eleito em Teófilo Otoni. Perdoa se eu chorar...será de alegria e agradecimento a Deus e ao povo da nossa querida terra natal que tanta saudade trás á minha humilde vida de trabalhador.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu pai Tim Garrocho, candidato a vereador em 2012 em Teófilo Otoni, PTB- Número 14.345. Dedico este texto também a uma pessoa que me ensinou que: " As estrelas brilham e enquanto elas brilharem, haverá esperança na vida".
terça-feira, 4 de setembro de 2012
TIM GARROCHO PARA VEREADOR EM 2012 EM TEÓFILO OTONI
Tim Garrocho, meu pai, sempre teve vida pública ativa. Aos 24 anos de idade, já era vereador em Teófilo Otoni e muito ligado aos ferroviários da antiga estrada de ferro Bahia-Minas. Meu pai havia trabalhado ali. Foi o vereador mais votado da região e um dos mais novos do Brasil. Ele foi eleito com mais de 900 votos, numa época (1954) em que o eleitorado de Teófilo Otoni era bem pequeno. Tim Garrocho sempre foi um político polêmico, mas justo e honesto. Estas não são palavras minhas, mas de uma legião de amigos e admiradores do meu pai.
Até mesmo seus adversários mais ferrenhos reconheciam a honestidade de Tim Garrocho e a sua luta em prol dos mais humildes e pobres da região de Teófilo Otoni, do Vale dos Mucuri, Vale do Jequitinhonha e São Mateus. Já nesta época o sentimento de solidariedade estava enraizado na mente do meu pai, que era incansável na luta contra todo tipo de opressão ao povo humilde.
Em 1958, foi novamente eleito vereador com expressiva votação de 863 votos pelo povo de Teófilo Otoni e cumpriu dois mandatos àquela época sem remuneração. Em 1964, sua carreira política, assim como a de muitos brasileiros comprometidos com justiça social, foi interrompida pela ditadura militar.
Só mais tarde, em 1982, voltou á câmara de vereadores eleito com 738 votos, sendo o terceiro mais votado dos eleitos.
As lutas sociais de Tim Garrocho, em favor dos mais humildes, foram ficando notórias em toda região e de diversos lugares, como zona rural e cidades vizinhas, começavam a chegar pessoas e famílias para tentar uma vida melhor em Teófilo Otoni. Muitos procuravam meu pai que, de alguma forma, os ajudava. Eu sempre observava que meu pai ajudava e nunca pedia retorno político das caridades que praticava .Muitas vezes escutei meu pai dizer às pessoas que ajudava: "Deus ensina ser justo". Dizia também que, como político, não precisavam votar nele. Desde criança, vi muitas pessoas entrando no nosso velho casarão em prantos e saindo com alegria no rosto. Meu pai sempre nos ensinava um provérbio da Bíblia que diz: "Nunca diga ao seu próximo: vai e volta amanhã, se o tens agora contigo".
Em 1962, tentou ser prefeito de Teófilo Otoni. Não conseguiu o apoio de dirigentes do seu partido. Alegavam que ele era muito jovem e tinham receio das suas idéias socialistas. O conservadorismo em Teófilo Otoni "sempre prevaleceu sobre novas lideranças". Não o apoiaram no registro de sua candidatura, já consagrada perante a opinião pública.
Tim Garrocho, diz o povo, sempre foi bom orador. Sempre, Tim teve o dom da palavra e oratória. Quando começava seu discurso, o povo era só atenção e fé nas palavras daquele pequeno homem de uma coragem insondável. Sempre foi um predestinado dos mais pobres e humildes de Teófilo Otoni. Certa vez, ele resumiu seu porte físico com uma frase: "O que Deus não me deu em tamanho físico, ele me deu em coragem". E, foi com esta coragem, propiciada por um espírito supremo, que muitas coisas aconteceram em Teófilo Otoni com sua participação na linha de frente. Foi através de atos de bravura do meu pai Tim Garrocho e outros aguerridos companheiros que muitas coisas melhoraram em Teófilo otoni e uma delas foi a instalação da CEMIG na cidade.
Meu pai costumava dizer que "nunca se dobrou aos poderosos, nunca foi servil e nunca bajulou homem nenhum". Dizia sempre, mesmo tendo idéias socialistas, "temer somente a Deus". Sua vida e seus atos, até mesmos imprudentes pelos arroubos da juventude, foram pautados na honestidade e transparência pública. Sempre assumiu seus atos e nunca entregou seus companheiros.. Até mesmos os socos e pontapés que o fizeram vomitar sangue dados pelo seu torturador, hoje Coronel reformado da policia militar de Minas Gerais, TORTURADOR KLINGER SOBREIRA DE ALMEIDA, não fizeram com que ele entregasse seus companheiros de lutas sociais. Meu sempre dizia e diz que tinha e tem nojo de torturadores e homens bajuladores. Ele sempre nos ensinou que " Deus não procurará em nós os diplomas e graus, Deus procurará em nós as cicatrizes e cicatrizes nós temos muitas".
Tim Garrocho sempre disse que, " em mais de cinquenta anos de vida pública, nunca levei um tijolo ou uma telha da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni para minha casa". E, uma certa vez, um ex. prefeito de Teófilo Otoni (Wander Lister) quis fazer um calçamento numa pequena entrada e subida até nosso velho casarão. Meu pai não aceitou. Disse ao prefeito que "não era justo".
Uma certa vez, eu precisei de dois caminhões de terra para aterrar um buraco para piso em minha casa, e quando o caminhão da prefeitura trouxe a terra a pedido do ex. prefeito Édson Soares (meu amigo), meu pai mandou o caminhão voltar e não deixou subir até nosso velho casarão. Ele disse ao motorista que avisasse ao prefeito que não era justo um carro da Prefeitura Municipal prestar favores a particulares, mesmo sendo eu seu filho. No único mandato de vereador que recebeu salário, ali mesmo na porta da câmara ele entregava e ajudava os mais pobres. Muitas vezes escutei minha mãe Laura perguntado a meu pai se ele "comprou o pão" e ele dizia que "o pão já tinha sido doado aos mais humildes". Meu pai não construiu um império de riquezas materiais. Se quisesse, teria conseguido, como muitos políticos corruptos conseguiram e, infelizmente ainda conseguem nesta sofrida pátria brasileira de desigualdades sociais imensas. Meu pai, Tim Garrocho sempre teve e tem plena consciência de que seu mundo é o mundo da transparência, das liberdades individuais, da justiça social e da fraternidade. Sempre Tim Garrocho acreditou: "O homem não morre, deixa raízes". Este é TIM GARROCHO, para " NOSSA ALEGRIA".
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado ao melhor povo do mundo, o povo de Teófilo Otoni, nossa terra natal. Escrito em Barbacena, em 04/09/2012
Até mesmo seus adversários mais ferrenhos reconheciam a honestidade de Tim Garrocho e a sua luta em prol dos mais humildes e pobres da região de Teófilo Otoni, do Vale dos Mucuri, Vale do Jequitinhonha e São Mateus. Já nesta época o sentimento de solidariedade estava enraizado na mente do meu pai, que era incansável na luta contra todo tipo de opressão ao povo humilde.
Em 1958, foi novamente eleito vereador com expressiva votação de 863 votos pelo povo de Teófilo Otoni e cumpriu dois mandatos àquela época sem remuneração. Em 1964, sua carreira política, assim como a de muitos brasileiros comprometidos com justiça social, foi interrompida pela ditadura militar.
Só mais tarde, em 1982, voltou á câmara de vereadores eleito com 738 votos, sendo o terceiro mais votado dos eleitos.
As lutas sociais de Tim Garrocho, em favor dos mais humildes, foram ficando notórias em toda região e de diversos lugares, como zona rural e cidades vizinhas, começavam a chegar pessoas e famílias para tentar uma vida melhor em Teófilo Otoni. Muitos procuravam meu pai que, de alguma forma, os ajudava. Eu sempre observava que meu pai ajudava e nunca pedia retorno político das caridades que praticava .Muitas vezes escutei meu pai dizer às pessoas que ajudava: "Deus ensina ser justo". Dizia também que, como político, não precisavam votar nele. Desde criança, vi muitas pessoas entrando no nosso velho casarão em prantos e saindo com alegria no rosto. Meu pai sempre nos ensinava um provérbio da Bíblia que diz: "Nunca diga ao seu próximo: vai e volta amanhã, se o tens agora contigo".
Em 1962, tentou ser prefeito de Teófilo Otoni. Não conseguiu o apoio de dirigentes do seu partido. Alegavam que ele era muito jovem e tinham receio das suas idéias socialistas. O conservadorismo em Teófilo Otoni "sempre prevaleceu sobre novas lideranças". Não o apoiaram no registro de sua candidatura, já consagrada perante a opinião pública.
Tim Garrocho, diz o povo, sempre foi bom orador. Sempre, Tim teve o dom da palavra e oratória. Quando começava seu discurso, o povo era só atenção e fé nas palavras daquele pequeno homem de uma coragem insondável. Sempre foi um predestinado dos mais pobres e humildes de Teófilo Otoni. Certa vez, ele resumiu seu porte físico com uma frase: "O que Deus não me deu em tamanho físico, ele me deu em coragem". E, foi com esta coragem, propiciada por um espírito supremo, que muitas coisas aconteceram em Teófilo Otoni com sua participação na linha de frente. Foi através de atos de bravura do meu pai Tim Garrocho e outros aguerridos companheiros que muitas coisas melhoraram em Teófilo otoni e uma delas foi a instalação da CEMIG na cidade.
Meu pai costumava dizer que "nunca se dobrou aos poderosos, nunca foi servil e nunca bajulou homem nenhum". Dizia sempre, mesmo tendo idéias socialistas, "temer somente a Deus". Sua vida e seus atos, até mesmos imprudentes pelos arroubos da juventude, foram pautados na honestidade e transparência pública. Sempre assumiu seus atos e nunca entregou seus companheiros.. Até mesmos os socos e pontapés que o fizeram vomitar sangue dados pelo seu torturador, hoje Coronel reformado da policia militar de Minas Gerais, TORTURADOR KLINGER SOBREIRA DE ALMEIDA, não fizeram com que ele entregasse seus companheiros de lutas sociais. Meu sempre dizia e diz que tinha e tem nojo de torturadores e homens bajuladores. Ele sempre nos ensinou que " Deus não procurará em nós os diplomas e graus, Deus procurará em nós as cicatrizes e cicatrizes nós temos muitas".
Tim Garrocho sempre disse que, " em mais de cinquenta anos de vida pública, nunca levei um tijolo ou uma telha da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni para minha casa". E, uma certa vez, um ex. prefeito de Teófilo Otoni (Wander Lister) quis fazer um calçamento numa pequena entrada e subida até nosso velho casarão. Meu pai não aceitou. Disse ao prefeito que "não era justo".
Uma certa vez, eu precisei de dois caminhões de terra para aterrar um buraco para piso em minha casa, e quando o caminhão da prefeitura trouxe a terra a pedido do ex. prefeito Édson Soares (meu amigo), meu pai mandou o caminhão voltar e não deixou subir até nosso velho casarão. Ele disse ao motorista que avisasse ao prefeito que não era justo um carro da Prefeitura Municipal prestar favores a particulares, mesmo sendo eu seu filho. No único mandato de vereador que recebeu salário, ali mesmo na porta da câmara ele entregava e ajudava os mais pobres. Muitas vezes escutei minha mãe Laura perguntado a meu pai se ele "comprou o pão" e ele dizia que "o pão já tinha sido doado aos mais humildes". Meu pai não construiu um império de riquezas materiais. Se quisesse, teria conseguido, como muitos políticos corruptos conseguiram e, infelizmente ainda conseguem nesta sofrida pátria brasileira de desigualdades sociais imensas. Meu pai, Tim Garrocho sempre teve e tem plena consciência de que seu mundo é o mundo da transparência, das liberdades individuais, da justiça social e da fraternidade. Sempre Tim Garrocho acreditou: "O homem não morre, deixa raízes". Este é TIM GARROCHO, para " NOSSA ALEGRIA".
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho- Texto dedicado ao melhor povo do mundo, o povo de Teófilo Otoni, nossa terra natal. Escrito em Barbacena, em 04/09/2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
AS MARIAS DE TEÓFILO OTONI
Conheci muitas Marias em Teófilo Otoni, minha terra natal. Ali pelas bandas da Vila Verônica tinha tanta Maria que o lugar poderia ser conhecido por Vila das Marias.
Minha avó, uma imigrante polonesa, gritava para mim: " Vá na casa da Maria de Joaquim e leve estas quitandas". Outro dia era minha mãe que mandava buscar raiz de capim cidreira na casa de comadre Maria de Zezito. Assim, acabei acostumando e gostando das Marias. Para completar, acabei casando com uma Maria, a das Dores.
Mas, eu gostava mesmo era de uma menininha de cabelinho preto que ia todo domingo na missa da igrejinha que se chamava Neusa Maria( filha de Dona Davina e sr. Ioiô) e de uma tal de Maria rabo de galo que morava no antigo rabicho. Isto mesmo, era o nome do lugar que Maria rabo de galo, filha do saudoso sr. Girau, morava com sua mãe e vários irmãos. O apelido de Maria rabo de galo, segundo os antigos, era devido ela gostar de uma mistura de vinho com cachaça e que naquela região chamavam de "rabo de galo". Mas, os maldosos da língua afiada diziam que o "rabo" de Maria eram "outros quinhentos".
Maria rabo de galo ou "outros quinhentos" sempre foi para mim uma jovem criança, um amor de pessoa . O que me fascinava era seu sorriso e carinho para com todas as crianças da Vila Verônica. Ela só vivia sorrindo, tinha os dentes alvos e lábios carnudos parecidos com os das lavadeiras do Rio Santo Marcolino que ficava ali atrás da Igrejinha Nossa Senhora dos Pobres.
Só uma vez eu a vi chorando. Foi quando o velho pai Girau veio a falecer. O corpo foi levado ao cemitério por vários jovens atiradores do antigo Tiro de Guerra (Exército), tendo em vista que seu irmão André, o famoso Lambreta, era soldado naquela época.
Com minhas andanças pelo mundo, fiquei muito tempo sem ver Maria rabo de galo. A vida é assim e muitas vezes deixamos para trás amores, paixões e amigos que amávamos. O tempo pode até passar, mas, creio que as boas lembranças sempre retornam daqueles que fizeram e ainda fazem parte das nossas vidas.
Alguns anos depois, encontrei com Maria rabo de galo. Ela trabalhava num bar em plena zona boêmia de Teófilo Otoni. Pedi uma cachaça misturada com vinho. Ela sorriu e disse que eu era um bom amigo. Não tinha esquecido dela ao pedir um "rabo de galo". Pois é, coisas da vida...
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a todas as Marias que fizeram e fazem parte da minha vida. Em 24/07/2012-
Minha avó, uma imigrante polonesa, gritava para mim: " Vá na casa da Maria de Joaquim e leve estas quitandas". Outro dia era minha mãe que mandava buscar raiz de capim cidreira na casa de comadre Maria de Zezito. Assim, acabei acostumando e gostando das Marias. Para completar, acabei casando com uma Maria, a das Dores.
Mas, eu gostava mesmo era de uma menininha de cabelinho preto que ia todo domingo na missa da igrejinha que se chamava Neusa Maria( filha de Dona Davina e sr. Ioiô) e de uma tal de Maria rabo de galo que morava no antigo rabicho. Isto mesmo, era o nome do lugar que Maria rabo de galo, filha do saudoso sr. Girau, morava com sua mãe e vários irmãos. O apelido de Maria rabo de galo, segundo os antigos, era devido ela gostar de uma mistura de vinho com cachaça e que naquela região chamavam de "rabo de galo". Mas, os maldosos da língua afiada diziam que o "rabo" de Maria eram "outros quinhentos".
Maria rabo de galo ou "outros quinhentos" sempre foi para mim uma jovem criança, um amor de pessoa . O que me fascinava era seu sorriso e carinho para com todas as crianças da Vila Verônica. Ela só vivia sorrindo, tinha os dentes alvos e lábios carnudos parecidos com os das lavadeiras do Rio Santo Marcolino que ficava ali atrás da Igrejinha Nossa Senhora dos Pobres.
Só uma vez eu a vi chorando. Foi quando o velho pai Girau veio a falecer. O corpo foi levado ao cemitério por vários jovens atiradores do antigo Tiro de Guerra (Exército), tendo em vista que seu irmão André, o famoso Lambreta, era soldado naquela época.
Com minhas andanças pelo mundo, fiquei muito tempo sem ver Maria rabo de galo. A vida é assim e muitas vezes deixamos para trás amores, paixões e amigos que amávamos. O tempo pode até passar, mas, creio que as boas lembranças sempre retornam daqueles que fizeram e ainda fazem parte das nossas vidas.
Alguns anos depois, encontrei com Maria rabo de galo. Ela trabalhava num bar em plena zona boêmia de Teófilo Otoni. Pedi uma cachaça misturada com vinho. Ela sorriu e disse que eu era um bom amigo. Não tinha esquecido dela ao pedir um "rabo de galo". Pois é, coisas da vida...
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a todas as Marias que fizeram e fazem parte da minha vida. Em 24/07/2012-
quarta-feira, 18 de julho de 2012
TIM GARROCHO, O POLÍTICO QUE COLHIA FLORES
Estive escutando uma música com Nelson Gonçalves. Em um verso a canção diz que " Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele doeu em mim". Lembrei de Tim que sempre foi apaixonado por política. Assim, cheguei á conclusão que o "velho" Tim Garrocho está fazendo falta naquela mesa de elaboração de leis em benefício do povo da cidade do amor fraterno.
Confesso que convivi muito com Tim, o político que gostava de plantar flores. Certa vez, eu até "roubei" uma rosa vermelha para deixar na porta do caminho da liberdade após as doze prisões que a ditadura militar o levou para longe de nós seus filhos e milhares de amigos que sempre admiraram sua postura em prol dos mais pobres e excluídos do contexto social.
Desde rapaz, Tim, o político que colhia flores, foi perseguido. jamais se dobrou ou curvou perante os autoritários e eventuais donos do poder. Sua voz sempre bradou forte em prol dos menos favorecidos e incomodou muita gente amante deste horrível sistema capitalista que adora prepotência e sente grande vaidade de ego em ver o mundo inteiro de "chapéu na mão" a implorar migalhas.
Tim, o político que colhia flores ainda vive. Tive notícias que ele ainda respira na cidade do amor fraterno. A Comissão da Verdade, a imprensa, a liberdade de expressão que ele tanto sonhou e em especial o povo de Teófilo Otoni estão trazendo vida ao Tim que colhia flores.
Quando penso em Tim, penso e relembro uma frase de Che Guevara: "Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera". Assim, o político Tim Garrocho que colhia flores está voltando justamente numa época em que as flores, assim como o povo, ficam mais felizes sonhando com uma cidade mais fraterna, humana e igualitária. Para nossa alegria, para alegria das flores e da democracia, TIM VEM AI!!!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao melhor povo do mundo, o povo de Teófilo Otoni, minha terra natal. Em 18/07/2012
Confesso que convivi muito com Tim, o político que gostava de plantar flores. Certa vez, eu até "roubei" uma rosa vermelha para deixar na porta do caminho da liberdade após as doze prisões que a ditadura militar o levou para longe de nós seus filhos e milhares de amigos que sempre admiraram sua postura em prol dos mais pobres e excluídos do contexto social.
Desde rapaz, Tim, o político que colhia flores, foi perseguido. jamais se dobrou ou curvou perante os autoritários e eventuais donos do poder. Sua voz sempre bradou forte em prol dos menos favorecidos e incomodou muita gente amante deste horrível sistema capitalista que adora prepotência e sente grande vaidade de ego em ver o mundo inteiro de "chapéu na mão" a implorar migalhas.
Tim, o político que colhia flores ainda vive. Tive notícias que ele ainda respira na cidade do amor fraterno. A Comissão da Verdade, a imprensa, a liberdade de expressão que ele tanto sonhou e em especial o povo de Teófilo Otoni estão trazendo vida ao Tim que colhia flores.
Quando penso em Tim, penso e relembro uma frase de Che Guevara: "Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera". Assim, o político Tim Garrocho que colhia flores está voltando justamente numa época em que as flores, assim como o povo, ficam mais felizes sonhando com uma cidade mais fraterna, humana e igualitária. Para nossa alegria, para alegria das flores e da democracia, TIM VEM AI!!!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao melhor povo do mundo, o povo de Teófilo Otoni, minha terra natal. Em 18/07/2012






