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domingo, 3 de agosto de 2014

O CANTAR DOS GALOS EM TEÓFILO OTONI

Era bem cedo. os galos da Dona Efigênia já haviam cantado muito e as galinhas já cacarejavam pelo quintal em busca de algum petisco matinal. Milho? só após o despertar da bondosa viúva que após o falecimento do seu inesquecível marido Zico, resolveu criar várias espécies de aves e animais. Pensando bem, ainda me considero um saudosista quando vejo pessoas criando galinhas e outros animais. Lembra meu tempo de criança e juventude na antiga Grota da Verônica, onde nasci. É bem provável que a maioria das pessoas também sente esta mesma saudade que sinto. A maioria das pessoas, penso, tiveram algum contato com sítios e ou fazendas. Um cheiro de mato sempre fez e faz bem a todos.
Certo dia, perguntei a Dona Efigênia o motivo da criação de tantos bichos e ela me respondeu: "Olha Téo, eu gosto deles porque eles não falam." Sendo assim, penso que Dona Efigênia criou um mundo para ela e os bichos que ficam naquele rebuliço imenso no quintal daquela que os adotou como "verdadeiros filhos e filhas".
Ultimamente, venho acreditando firmemente que quanto mais a gente se afasta do burburinho dos homens, a gente sente que a vida fica bem mais suave e sem muitas pertubações mentais. Não foi em vão que Cristo ficou em deserto e alto de montanhas nas suas meditações. Ainda assim, segundo o livro sagrado, o tal rabudo foi lá para tentá-lo.
Nesta vida terrena, tem gente que fala muito. A língua humana é feroz e dizima a vida de muita gente. Pode ser que aquelas palavras de Dona Efigênia de que " gosta dos bichos porque eles não falam" tem muito a ver com a língua feroz de certos seres humanos. Serão os animais e aves mais inteligentes e sábios que nós? Pensando bem, é bem provável.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á minha inesquecível professora Dulcina Regina Molina. Um ícone da cultura em Teófilo Otoni- Vale do Mucuri-MG. Uma pessoa que me ensinou a criar laços eternos com a cultura em todos os segmentos. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 03/08/2014.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A LEI DE CAIM

A lei de Caim é a lei do fratricídio. A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade. Lei que nega a noção de todas as leis, lei de inconsciência, que autoriza a perfídia, consagra a brutalidade, eterniza o ódio , premia o roubo, coroa a matança, organiza a devastação, semeia a barbaria, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal.

Lei de anarquia, que se opõe à essência de toda a legalidade, substituindo a regra pelo arbítrio, a ordem pela violência, autoridade pela tirania, o título jurídico pela extorsão armada. Lei animal, que se insurge contra a existência de toda a humanidade, ensaiando o homicídio, propagando a crueza, destruindo lares, bombardeando templos, envolvendo na chacina universal velhos, mulheres e crianças.

Lei de torpeza, que prescreve o coração, a moral, a honra. Lei de mentira na falsa história que escreve, nos falsos pretextos que invoca, na falsa ciência que explora, na falsa dignidade que ostenta, na falsa bravura que assoalha, nas falsas liberdades que reinvidíca, fuzilando enfermeiras, atacando hospitais, metralhando povoações desarmadas, incendiando aldeias, bombardeando cidades abertas, minando as estradas navais do comércio, submergindo navios mercantes, canhoneando tripulações e passageiros refugiados nas lanchas de salvamento, abandonando as vítimas da covardia das suas proezas marítimas aos mares revoltos e aos frios dos invernos boreais. Lei do sofisma, lei da inveja, lei da carniceria, lei do instinto sanguinário, lei do homem brutificado, LEI DE CAIM.

Autor: RUI BARBOSA- Texto retirado do livro: "A ARTE DE ESCREVER", do escritor Francisco da Silveira Bueno, editado pela Editora Saraiva, ano de 1949- Sétima edição, Páginas 37 e 38.

terça-feira, 22 de abril de 2014

AS LÁGRIMAS DAS MÃES EM TEÓFILO OTONI E NA PRAÇA DE MAIO NA ARGENTINA

Com uma flor de margarida nas mãos, Serafina Apolinária dos Anjos, ou Dona Fininha como é mais conhecida na região do Altino Barbosa em Teófilo Otoni, fica parada olhando para o infinito, mergulhada em lembranças do passado. Ultimamente ela fica assim, dando o que falar no seio da família e nos amigos mais fieis.
Dona Fininha perdeu um filho em acidente com veículo na sexta feira da paixão que passou. O trauma foi tão grande que nem mesmo o aconchego da família e de todos, consegue tirar a tristeza daqueles "zoinhos" que teimam em fixar o firmamento. Um firmamento que parece não ter fim e faz vez ou outra brotar uma aguinha em cada cantinho dos "zoinhos" de Dona Fininha.
Eu já vi e presenciei muita coisa triste na minha vida, mas, como lágrima de mãe é difícil ter igual. É uma lágrima sincera, comovente, saudosa como nenhuma outra. É uma resposta da alma machucada por algum revés e fatalidade em relação á família e em especial com os filhos que vieram do seu ventre. E, vendo as lágrimas brotarem dos "zoinhos" de Dona Fininha, lembrei também da minha avó Inês Amado Garrocho que chorava caladinha em um cantinho da sua cozinha ao ver meu pai sendo levado preso pela ditadura militar e entregue aos seus algozes nos porões da tortura. Assim, passei a entender e valorizar mais minha avó, minha mãe e todas as mães do universo.
Assim, a exemplo das lágrimas de Dona Fininha, da minha avó Inês, das mães da Praça de Maio na Argentina e milhares de mães espalhadas pelo mundo inteiro, os chamados poetas do mundo com certeza construiriam um " oceano de saudade" que minam dos "zoinhos" tão magoados da alma de milhares de mães, sejam brancas, pretas, pardas, amarelas. Ricas ou pobres materialmente...
Vou, dentro das minhas limitações de fé, tentar fazer uma prece para Dona Fininha suplantar a dor tão profunda que vem sentindo. Vou tentar, quem sabe, explicar para Deus, que acolha com carinho o seu filho que na verdade sempre foi um pedacinho da sua alma.
Ah! fiquei sabendo que aquela margaridinha nas mãos de Dona Fininha só tinha uma pétala e quando ela tirou, deu "bem-me-quer". Fiquei sabendo também que brotou um suave sorriso no rosto de Dona Fininha. É bem provável que Deus tenha escutado minha humilde prece. Será???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á todas as mães de Teófilo Otoni que perderam seus filhos precocemente. Também este texto é dedicado a todas as mães que tiveram seus filhos mortos por ditaduras militares a exemplo no Brasil, Chile e Argentina. Enfim, a todas as mães que dos "zoinhos" tristes. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 22/04/2014.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ASSESSOR POLÍTICO NO NORDESTE DE MINAS GERAIS

Toninho "Turiba" tem o costume de repetir um velho ditado quando é questionado por todos em relação sobre a boa vida que vem tendo ultimamente na pacata Vila Jacaré da igualmente pacata cidade de Filadélfia no Nordeste de Minas Gerais. Segundo seu cunhado Deusdete, que há 50 anos labuta arduamente na criação de bodes, o irmão da sua mulher Conceição, está se achando o rei da cocada preta e pegar no cabo da enxada: "Nunca mais".
Sentado na soleira do seu barraco em velha cadeira de balanço comprada no Topa Tudo usados do meu velho amigo Aziz, Toninho Turiba nem parece estar mesmo preocupado com o andar da carruagem da vida. Vez ou outra repete para si mesmo uma antiga frase que escutava um certo político de Filadélfia dizer em um restaurante elitizado do centro da cidade: " Os cães ladram e a caravana passa". Também lembro que um colunista social de nome Ibraim Sued escrevia esta frase em sua coluna de bacanas da sociedade. Dizem que Toninho também costuma repetir uma velha frase de um bunda quente e político safado de Filadélfia que tinha e tem o costume de dizer: "Cria fama e fica na cama" ou "Cria fama e fica na Câmara", como queiram.
Toninho Turiba, assim como muitos da pacata Vila Jacaré não é homem de muita cultura. Sabe mal mal assinar o nome.Na verdade uns garranchos de escrita. Ainda assim, se orgulha quando pega no bico da pena e carimba Antonio Tintino, que na verdade é seu nome de batismo dado pelos pais Maneco e Beatriz que viveram a vida toda fazendo bicos e biscates pela cidade de Filadélfia, onde, dizem que existe um grande amor fraterno entre o povo. Será?. Diferente dos pais, Toninho tem dado o que falar na mesma terra onde também muitos criaram fama e estão nas redes, na cama, na câmara e nos gabinetes com ar condicionado, etc. Será Toninho um discípulo? É bem provável.
A grande verdade de tudo isto é que Toninho Turiba diz para todos que é assessor ou porta voz do prefeito e a verdade verdadeira de tudo isto é que o prefeito detesta Toninho. Na verdade verdadeira da verdade, o prefeito quer mesmo é distância do Toninho que na verdade não passa de um grande pucha saco e babaôvo do prefeito. Assim, como o prefeito tem pavor da língua afiada de Toninho, ele dá uns trocados para Toninho não enfiar a língua nele pelas costas ou meter o pau pelas costas no centro ou miolo da Praça de Filadélfia, como queiram. É bem provável que tanto o prefeito e Toninho tenham " O Príncipe" de Maquiavel como livro de cabeceira. "Se não podes contra o inimigo, junte-se a ele". Os dois, Toninho e o prefeito são na verdade "unha e carne". Um fiel retrato da política com p minúsculo no Brasil...
Então, os anos passam e tudo continua como sempre na pacata Filadélfia. A cada novo mandato conquistado, o velho prefeito, ainda que enojado de conviver com a própria raça que vem criando há anos, relembra sempre, no silêncio da sua consciência (se é que já teve): " O povo, ora bolas para o povo. Quatro anos passa tão rápido que eles nem percebem. Amanhã mesmo vou recrutar mais uma dúzia de Toninhos."
Pobre povo, pobre povo, até quando? Até quando minha querida e pacata Filadélfia???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a todos aqueles que lutam pela transparência e honestidade nas administrações públicas dos municípios brasileiros. Texto escrito em 16/04/2014 em Barbacena-MG.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

SAUDADE DE CAGAR NO MATO EM TEÓFILO OTONI


Para minha surpresa, alguns velhos amigos estão lendo meus simples escritos. Sempre confessei que escrevo sobre temas simples do cotidiano. Peço sempre perdão pelos erros da língua portuguesa. Ainda não tenho uma pessoa para fazer a redação dos meus textos. Adoro relembrar situações cômicas que aconteceram comigo e milhares que já presenciei convivendo com meus amigos e nas esquinas da vida onde este velho mancebo já passou. Nunca esqueço de quando borrei nas " carças" ao subir por aquelas escadarias imensas do antigo orfanato onde estudei quando criança em Teófilo Otoni. Acredito que tem gente borrando nas calças de tanto sorrir daquilo que escrevo. Afinal, são raros os viventes que assumem tais acontecimentos em sua vida, a exemplo de borrar nas calças.
Deixando a merda de lado, voltemos ao início onde eu disse que para minha surpresa, alguns velhos amigos estão entrando em contato com este meditabundo da vida e agradecendo pelos sorrisos que estão florindo das suas carcaças sexagenárias ao lerem o que estou escrevendo. Alguns até confessam que "estão renascendo" e outros dizem sentir que "as rugas e os pés de galinha estão sumindo dos rostos carrancudos". Tem até um tal de Abdias, não o saudoso senador Abdias que foi militante da causa Afro-Brasileira e sim o humilde Abdias que morava ali pelas bandas do antigo Cocá Pelado na Vila Barreiros. Segundo Abdias, ele já tem internet e quando acessa meu (nosso) BLOG, ele diz sorrir tanto que no outro dia pela manhã, seu vizinho pergunta qual filme de comédia ele assistiu na madrugada.
Sei lá, acho que tudo não passa de coisa de caduco. Pode até ser verdade. Não é novidade nenhuma que já tem muita gente da terceira idade que estão "viciados na tal interneta". Eu mesmo, tenho um filho que nem bem eu ligo meu velho e aguerrido PC e ele já passa gritando alto: " Ê pai, tá viciado mesmo". E, pasmem, tem a cara de pau de chamar minha velha patroa para incriminar-me mais ainda: " Chega mãe, olha lá. Ele tá entrando até no Feicibuque". Cruz credo, cruz credo, ô lingua...ô lingua!!!
Pois bem, ainda bem que minha bondosa patroa me defende e diz: "Ah! meu filho, eu não entendo nada disso. Deixa seu pai sossegado. Melhor ficar no PC que nas mesas de boteco". Vitória para mim e caminho livre para escrever meus textos. Então, ultimamente tenho sentido saudade de tudo. É possível que seja mesmo a tal idade. Estou fazendo uma lista de coisas que ainda pretendo fazer, antes de "bater a caçuleta" ou "fechar o palitó" como queiram.
Para começar a lista, pretendo tomar banho pelado ali pelas bandas do Rio Mucuri. Se possível, tirar uma chupeta e dar um salto mortal pelo ar. Será que vou conseguir? Veremos. Outra coisa que pretendo é descer dentro de um carro de pau no antigo morro da igrejinha ali pelas bandas da Vila Verônica e se possível com meu velho amigo "Zé Caga-barro" na direção.Vai ser uma festa e até imagino o povo dizendo: "Téo não tem jeito. Depois então que voltou de Barbacena..." Pretendo também, com certeza, convidar meu velho amigo Pedrinho Jacaré para entrarmos à noite no cemitério municipal e tacar uns ovos podres em alguns políticos de Teófilo Otoni. Ô saudade!!!
Para encerrar minha lista de utopia, peço a Deus que me dê a alegria, antes do "vai com Deus", para sentar embaixo de um frondosa moita e...cagar á vontade. Não, não quero papel higiênico, folha de jornal ou folha de mato para limpar. Eu quero mesmo é um sabugo de milho para roçar na minha bunda e matar saudade de quando morei ali pelas bandas da Vila Verônica em Teófilo Otoni..
Abdias, meu velho amigo já deve estar sorrindo alto pelas madrugadas do Cocá Pelado ali pelas bandas da Vila Barreiros...

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu fraterno e bom amigo Alfaiate "COLA" que reside no antigo Cocá Pelado na Vila Barreiros em Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena-MG aos 04/04/2014.


terça-feira, 11 de março de 2014

UM DIAMANTE A CAMINHO DA SUA VIDA

Estranho.Ultimamente, na minha imaginação, meu telefone anda tocando e quando atendo pareço escutar uma voz que me diz: "Enfia tua mão na loca. Caso não tenha peixe, você encontrará um diamante". Estranho mesmo. Que eu me lembre, pesquei alguns lambaris ali pelas bandas do Vale do Jequitinhonha há uns vinte anos atrás quando trabalhei numa escola estadual no distrito de Engenheiro Schnoor, município de Araçuaí.
Não entendo de peixes. Comentei o caso com meu amigo Oscarino que é um exímio pescador. Segundo ele, peixe que gosta de loca é um tal de cascudo.Segundo ainda o Oscarino, o peixe cascudo é muito apreciado e caríssimo nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Ele ainda diz que ninguém resiste a uma panelada de cascudo, se bem temperada ao molho da região.
Para mim, leigo no assunto peixes, cascudo sempre foi um termo para denominar aqueles tapas na cabeça que em tempos antigos, a criançada tinha o costume de bater na cabeça dos mais novos. Eu, por exemplo, já tomei muito cascudo quando criança e talvez dai o abalamento do meu "coco" ou cérebro como queiram. Segundo meu filho que estuda ciência da computação, o cérebro humano pode ser como a placa mãe de um PC. Se tomar muito bate, pode dar problemas. Não é a toa que um vizinho meu, quando seu PC dá algum defeito, ele leva "o bicho" no maior carinho dentro do ônibus coletivo até a oficina de computadores. Então, a gente, quando criança, deveria também ser tratado com muito carinho. Muito cascudo pode ter abalado a mente de muita criança por este mundão a fora. Certo?
Conversa vai, conversa vem, volto ao assunto da voz que "manda eu enfiar a mão na loca e se não sair peixe, sai diamante". Como meu telefone ainda não tem aquele tal "Bina" ou identificador de chamadas, matuto que pode ser obra de algum desocupado ou então aqueles telefonemas de bancos que querem a todo custo enfiar mais cartão de crédito na vida da gente. Assim, como todo bom mineiro, desconfio e prefiro não meter minha mão na cumbuca. Segundo um velho ditado, a esmola quando é muita, o santo desconfia. Verdade?
Certo ou não do que escrevo, apareceu um amigo meu de muita confiança e relatei sobre o tal telefonema. Para minha surpresa, ele contou que este caso da loca do peixe, aconteceu mesmo no Vale do Jequitinhonha. Segundo ele, uma família muito pobre ficou riquíssima da noite para o dia. É fato sabido que no Rio Jequitinhonha existe muito diamante e ouro. Tem até umas pessoas que exploram ouro e diamante naquele rio e desde criança ouço comentários sobre pessoas que ficaram ricas garimpando naquela região. Segundo o tal amigo, existia um pai que levava seus filhos para mergulhar e pescar os cascudos que ficavam escondidos nas locas, principalmente de dia. Aquele senhor e seus filhos, pescavam os cascudos e trocavam por mercadorias como farinha, fubá, carne seca, arroz, banha de porco e macarrão.
Um certo dia, um dos meninos mergulhou e ao meter a mão na loca não encontrou peixe. Encontrou um grande pedra que para surpresa e alegria daquela família, era um valioso diamante que deixou todos daquela família muito ricos. Segundo meu amigo, o homem ficou rico e continua simples como sempre foi e ainda continua morando por aquelas bandas, ajudando muito o povo pobre daquela região.
São casos como este que fazem a gente pensar que "coisas do outro mundo" acontecem mesmo e de verdade. Tanto que na semana que passou, uma jovem capotou o carro que dirigia por várias vezes e veio a despencar de uma altura de 50 metros caindo em alto mar sob a ponte Rio-Niteroi  no estado do Rio de Janeiro. E, se salvou. 
Assim, penso que quando aquele menino achou aquele diamante na loca do peixe, um milagre aconteceu na vida daquela família carente do Vale do Jequitinhonha. Deus, o arquiteto do universo, tem um propósito na vida deles e assim também na vida da moça que se salvou ao despencar daquela ponte no Rio de Janeiro.
E agora pergunto: na sua vida já aconteceu um milagre? Pode ser que breve você será mais um ou uma a imaginar, assim como eu, uma voz mandando você enfiar a mão na loca. Pode ser que o peixe já esteja com um diamante na boca e vai deixar ali para você a mando de Deus, o "homem" que governa o universo. Tenha fé, tudo vai dar certo!!!

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a meus filhos, Thiago e Charles. Os dois, estão de mudança ( Estudo e trabalho)  para Ouro Preto e Vitória-ES. Que Deus os proteja e que eles sejam felizes. Texto escrito em Barbacena aos 11/03/2014.

quarta-feira, 5 de março de 2014

AMIGOS DE INFÂNCIA E JUVENTUDE EM TEÓFILO OTONI

José Carlos Reichardt era filho de Dona Elza Thomás. Ele nasceu numa comunidade rural próxima ao Cedro que fica no município de Teófilo Otoni. Zé Carlos para uns, Alemão para outros. Para mim, eu o chamava de Garapa. Um apelido de pré adolescência que nasceu nos campos de peladas de futebol espalhados àquela época pelos grandes espaços urbanos na Vila Verônica e antiga favela do Subaco Fedendo.
Zé Carlos ou Garapa, foi criado na antiga favela do Subaco. Sua mãe, Dona Elza, era uma aguerrida mulher trabalhadora que ainda tinha tempo para exercer a função antiga de parteira da comunidade, numa época, mais que hoje, em que o pobre não tinha assistência de saúde pública. Assim, ela ficou conhecida por aquelas bandas como Dona Elza parteira.
Meu amigo Garapa frequentava muito nosso velho casarão. Sua mãe, vez ou outra, fazia umas faxinas para minha avó e minha mãe. O Garapa sempre ia junto. Ainda que pobre no sentido da palavra, ele sempre aparecia por lá com as roupas limpinhas e o cabelo muito bem penteado com um óleo pastoso conhecido por brilhantina. Na verdade, o meu amigo Garapa, devido ao capricho da mãe, se destacava perante os outros meninos pobres da favela. Também na verdade, mesmo sendo mais arrumadinho, ele e sua mãe eram muito queridos por todos da comunidade onde a Dona Elza era muito prestativa com todos.
Meu amigo Garapa estudava na antiga escola da igrejinha Nossa Senhora dos Pobres. A professora era uma abnegada senhora de nome Lígia Gusmão. Essa mesma senhora, algum tempo depois, mudou o nome da antiga favela do Subaco Fedendo para a hoje tão progressista Vila Progresso que fica praticamente no centro de Teófilo Otoni.
Confesso que eu tinha sonho de estudar ali naquela escolinha junto com meu amigo Garapa e meus amigos do Subaco Fedendo. Mas, meus pais, me colocaram no antigo Orfanato Coração de Jesus. Um grande prédio que ficava numa altura imensa acima do hoje Bairro Marajoara. Aquele antigo Orfanato era dirigido por freiras de caridade que eram e ainda são umas mulheres que se cobrem até o pescoço. Então, foi ali que dois acontecimentos ficaram eternizados na minha lembrança: Uma pedrada acertada na minha cabeça e quando, ao subir aquela imensa ladeira, "borrei nas calças". Isso mesmo, foi uma caganeira incontrolável.
Alguns anos depois fui estudar no antigo Colégio São José. Foi cruel. Tinha que acordar quase de madrugada e percorrer uns 5 Quilômetros a pé para chegar naquela ponte velha do famoso rio "Toddy" e avistar aquele maldito portão onde ficava um padre alto, magrelo,vermelho, com apito na boca ou pendurado no pescoço. Era um martírio quando ele soprava aquele apito e gritava para a gente correr, senão ele fecharia o portão.
Mais cruel foi quando veio a ditadura militar e fui desligado daquele colégio de padres. Segundo eles, minha presença atrapalhava o andamento do colégio. Afinal, eu era filho de um comunista e preso político. E assim, passei a não ter onde estudar e fiquei " a pular de galho em galho" recendo não daqui e não dali. Demorei algum tempo para entender a triste realidade de um regime ditatorial que marcou minha vida.
Como tudo passa. Hoje, lembrando daqui e dali,  lembrei do meu velho amigo Garapa. Dizem que ele aposentou como Fiscal de Tributos da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni. Recebi noticias que ele anda muito adoentado, principalmente após o falecimento da sua bondosa mãe Dona Elza. Sinto na alma que preciso revê-lo e falar da saudade de nossa infância e juventude. Afinal, o que levamos deste mundo?

Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu bom amigo de infância e juventude, José Carlos Reichardt, ou, Garapa, Alemão, Zé Carlos da Prefeitura de Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena, aos 05/03/2014.