Nas minhas andanças pelo Brasil, escutei mais do que falei. Em alguns estados do Brasil, as pessoas diziam que eu era assim calado por ser mineiro. Mas, confesso que escutei muito tudo aquilo que ouvia nas igrejas, nos pontos de ônibus, nas escolas, nas fábricas onde trabalhei, nos campos de futebol e principalmente na minha solitária militância política.
Eu fui jogador de futebol amador pelo América de Teófilo Otoni, São Benedito da Vila Barreiros, Cruzeiro de Teófilo Otoni e outros times amadores. Jogando futebol, eu era tão calado que meu antigo técnico chamado Caruê , gritava desesperado: "Acorda Téo, que o jogo já começou a dez minutos". Mas, eu só começava a jogar bonito mesmo era depois de tomar a primeira pancada ou cacete do adversário.
Penso que a gente precisa tomar umas pancadas na vida para que cresçamos e nos tornemos um exemplo de vida para nós e a as pessoas que nos cercam.Acho que somos uma pedra bruta que após passar por um processo de lapidação tornam-se uma preciosidade aos olhos da sociedade e uma quase perfeição aos olhos do arquiteto Deus, o inigualável perfeito.
Uma certa vez, fiz uns escritos sobre a ganância do ser humano por lucros financeiros, bens materiais, holofotes da mídia, ego vaidoso, etc, etc. Um certo advogado, meu conhecido, abordou-me ali pelas bandas da Praça Tiradentes de Teófilo Otoni e disse-me: "Olha Téo, eu li seu texto. Só que aqui no plano terrestre os homens só são iguais na horizontal". Se bem entendi, ele quis dizer que nós só somos iguais quando morremos e somos enterrados na horizontal.
Há muitos anos que não tenho noticias daquele advogado. Penso que o mesmo já tenha entrado para o seu mundo dos iguais em sua concepção de vida. Por certo, não percebeu e entendeu que nenhum caminhão de mudança com seus pertences e tesouros, acompanhou seu cortejo fúnebre até o campo dos iguais, segundo ele.
Falando em enterro, lembrei de um padre muito famoso pelas bandas do Vale do Mucuri que se chamava Zoel. Boa pinta e falante, padre Zoel era o tal. Tinha o costume de detestar marxistas ou leninistas da vida, principalmente em sua região. Afinal, ele não gostaria nunca de perder as boquinhas do poder. Uma certa vez perguntei ao padre Zoel como ele se sentia usando carros, roupas e joias vistosas aos olhos de um povo tão pobre como os do Vale do Mucuri e Jequitinhonha. A resposta veio rápida como uma consulta do trabalhador junto ao INPS ou SUS como queiram: "Olha Téo, Sou padre mas não sou burro".
E assim, padre Zoel me deixou sozinho matutando quem de fato era burro. Seria eu? o povo?. Burro ou não, avistei o padre Zoel dando gargalhadas com o prefeito e seus saltitantes assessores. Pois é, a luta, aliás, a vida continua meu povão do Vale do Mucuri.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo de sandálias velhas e surradas, Padre Geovani Lisa de Teófilo Otoni que me ensinou, assim como Mário Lago, "Que é na minha cidade ("junto com o povo") que começamos a ser felizes". Barbacena, em 13/02/2013.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
O PAU COMEU NO SUBACO FEDENDO DE TEÓFILO OTONI
Confusão era ali mesmo. O pau comia quase todo dia e noite no subaco fedendo de Teófilo Otoni onde praticamente fui criado. Se a gente falava que morava perto do subaco fedendo, a discriminação era quase total àquela época em Teófilo Otoni.
Eu particularmente, adorava o subaco fedendo e seu povo. Ali tinha de tudo. O povo em sua maioria eram trabalhadores e trabalhadoras que poderíamos denominar de engraxates, faxineiras, biscateiros , pedreiros, carpínteiros, lavadores de carros, funileiros, limpadores de campas no cemitério, parteiras e etc. etc.
Assim como em Brasília, no subaco fedendo tinha também muito ladrão de todo tipo. A única diferença era que no subaco os ladrões não tinham terno e gravata. No subaco, quando a policia prendia o meliante, o caboclo já descia o morro tomando cacete e porrada até chegar na delegacia. Diferente de Brasília onde os ladrões dificilmente são presos e nem sequer tomam um tapa. Pelo contrário, saem até nas capas de revistas elitizadas do Brasil.
No subaco fedendo, na época, tinha sem exagero uns vinte centros de umbanda. Era comum a prática do umbandismo e cansei de ver pessoas consideradas ricas frequentando os terreiros de umbanda. Os meninos do subaco fedendo adoravam olhar carros e ganhar alguns trocados dos supostos milionários de Teófilo Otoni.
No subaco fedendo tinha muita mulher bonita e muita mulher feia também. Tinha mulher de lábios carnudos e dentes alvos. Também tinha muita mulher de boca banguela que sonhava em colocar um par de "chapa" na boca, isto é, uma dentadura. No subaco fedendo tinha cabaré com prostitutas para a gente praticar sexo e se ali não fosse possível, a gente descia e tinha dois cabarés famosos que eram o carrapatinho na rua Teófilo Rocha e o curral das éguas que ficava na rua do arrasta couro.
No subaco fedendo não tinha água. Talvez dai o apelido. Banho só na lagoa da alegria ou no rio santo marcolino onde tinha um campinho de futebol chamado de campo do Zé Ramiro, filho do cabo militar Ramiro Pedro Ferreira.
Lá de cima do morro do bispo, lugar da minha primeira namorada, neusinha de seo Ioiô e dona Davina, eu avistava o subaco fedendo e sentia uma alegria danada de ter nascido por aquelas bandas. Penso que minha primeira namorada, a neusinha que era muita bonitinha, também gostava do subaco fedendo. Ela tinha o costume de encostar aquele rostinho de anjo no meu peito, bem perto do meu subaco feden, aliás, cheiroso segundo ela.
Autor; Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho) - Texto dedicado ao meu saudoso amigo Geraldo Magela de Almeida Prates, meu companheiro "subaqueiro da vida"- Barbacena, 11/02/2013
Eu particularmente, adorava o subaco fedendo e seu povo. Ali tinha de tudo. O povo em sua maioria eram trabalhadores e trabalhadoras que poderíamos denominar de engraxates, faxineiras, biscateiros , pedreiros, carpínteiros, lavadores de carros, funileiros, limpadores de campas no cemitério, parteiras e etc. etc.
Assim como em Brasília, no subaco fedendo tinha também muito ladrão de todo tipo. A única diferença era que no subaco os ladrões não tinham terno e gravata. No subaco, quando a policia prendia o meliante, o caboclo já descia o morro tomando cacete e porrada até chegar na delegacia. Diferente de Brasília onde os ladrões dificilmente são presos e nem sequer tomam um tapa. Pelo contrário, saem até nas capas de revistas elitizadas do Brasil.
No subaco fedendo, na época, tinha sem exagero uns vinte centros de umbanda. Era comum a prática do umbandismo e cansei de ver pessoas consideradas ricas frequentando os terreiros de umbanda. Os meninos do subaco fedendo adoravam olhar carros e ganhar alguns trocados dos supostos milionários de Teófilo Otoni.
No subaco fedendo tinha muita mulher bonita e muita mulher feia também. Tinha mulher de lábios carnudos e dentes alvos. Também tinha muita mulher de boca banguela que sonhava em colocar um par de "chapa" na boca, isto é, uma dentadura. No subaco fedendo tinha cabaré com prostitutas para a gente praticar sexo e se ali não fosse possível, a gente descia e tinha dois cabarés famosos que eram o carrapatinho na rua Teófilo Rocha e o curral das éguas que ficava na rua do arrasta couro.
No subaco fedendo não tinha água. Talvez dai o apelido. Banho só na lagoa da alegria ou no rio santo marcolino onde tinha um campinho de futebol chamado de campo do Zé Ramiro, filho do cabo militar Ramiro Pedro Ferreira.
Lá de cima do morro do bispo, lugar da minha primeira namorada, neusinha de seo Ioiô e dona Davina, eu avistava o subaco fedendo e sentia uma alegria danada de ter nascido por aquelas bandas. Penso que minha primeira namorada, a neusinha que era muita bonitinha, também gostava do subaco fedendo. Ela tinha o costume de encostar aquele rostinho de anjo no meu peito, bem perto do meu subaco feden, aliás, cheiroso segundo ela.
Autor; Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho) - Texto dedicado ao meu saudoso amigo Geraldo Magela de Almeida Prates, meu companheiro "subaqueiro da vida"- Barbacena, 11/02/2013
sábado, 3 de novembro de 2012
RECEITA PARA FICAR RICO
Muito agradecido por acessar esta página. Este Blog é parte de um universo de pessoas no mundo inteiro. Confesso que até mesmo eu ando assustado com tanta gente que tem visitado este Blog. Na verdade, criei este Blog para escrever coisas simples e acredito que foi pela simplicidade que fui conquistando pessoas do mundo inteiro.
Eu tinha uma professora que sempre falava para mim que eu "nasci para ser líder". Interessante que nunca levei em consideração as glórias que já tentaram colocar em minha modesta vida. Desde rapazinho, optei pela vida simples sem ostentação. Quando meus novos e velhos amigos perguntam sobre minha vida, respondo: "Vou levando".
Atualmente, ainda trabalho. Presto serviços para um condomínio em Barbacena-MG que fica na região do Campo das Vertentes em Minas Gerais. Sou assalariado e considero-me feliz. Eu sempre digo ao meu justo patrão que nós estamos neste mundo para servir. Penso e sempre vou pensar que em todas as ocasiões da vida, o importante é você estar em paz, se sentindo bem, independente de salários. Tenho amigos com grandes fortunas e já me confessaram que não são felizes.
Possuo com muita alegria uma modesta residência feita com muita luta, muito trabalho mesmo. Foram anos de economia e como todo trabalhador, lá em casa não foi diferente. Fizemos um pouco de cada vez em cada ano e assim como minha esposa e meus filhos, todos nós fomos ajudantes do pedreiro "para economizar".
Lá em casa, somos cinco. Eu, a patroa e três filhos. Todos trabalham e estudam. Aliás, o mais novo com 12 anos só estuda. Este, não gosta quando o povo pergunta se sou avô dele. No popular, meu filho mais novo é chamado de "temporão". Eu já chegava aos 50 anos, quando ele nasceu para nossa alegria e vindo abrilhantar mais ainda nossas vidas.
Gosto do meu trabalho que começa às 7 horas da noite e termina às 7 horas da manhã. São 12 horas de trabalho nas madrugadas geladas de Barbacena. Penso e acredito que tenho sido um homem humilde sem ser pedante. Observo que as pessoas de bem tem carinho e respeito pela minha conduta na sociedade. Cumpro minhas obrigações como cidadão brasileiro, sou um verdadeiro patriota, preocupo-me em lutar para que tenhamos uma pátria mais justa para todos, amo meus familiares e amigos, a natureza, os animais.
Tenho um quintal onde planto alface,couve,rabanete, beterraba, salsinha, coentro, cebolinha e pés de frutas. Gosto de sentir a terra e ver a semente brotar. Possuo ainda dois cachorros que se chamam Bob Marley e Luppi. Tenho ainda um casal de periquitos australianos chamados de Têtê e Teté. A alegria ficou maior com a chegada de uma gatinha que meu filho deu o nome de Doçura.
Aos domingos, sentado embaixo de um pé de pitanga, aprecio os pássaros que são muitos. Tomo um vinho, fico alegre e sorrindo das coisas do mundo como uma receita para ficar rico que vi em um Blog na Internet. Ê mundão sô!!!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo de juventude, Engenheiro Dr.José Campos Rosa, em Teófilo Otoni-MG, em 02/11/2012
Eu tinha uma professora que sempre falava para mim que eu "nasci para ser líder". Interessante que nunca levei em consideração as glórias que já tentaram colocar em minha modesta vida. Desde rapazinho, optei pela vida simples sem ostentação. Quando meus novos e velhos amigos perguntam sobre minha vida, respondo: "Vou levando".
Atualmente, ainda trabalho. Presto serviços para um condomínio em Barbacena-MG que fica na região do Campo das Vertentes em Minas Gerais. Sou assalariado e considero-me feliz. Eu sempre digo ao meu justo patrão que nós estamos neste mundo para servir. Penso e sempre vou pensar que em todas as ocasiões da vida, o importante é você estar em paz, se sentindo bem, independente de salários. Tenho amigos com grandes fortunas e já me confessaram que não são felizes.
Possuo com muita alegria uma modesta residência feita com muita luta, muito trabalho mesmo. Foram anos de economia e como todo trabalhador, lá em casa não foi diferente. Fizemos um pouco de cada vez em cada ano e assim como minha esposa e meus filhos, todos nós fomos ajudantes do pedreiro "para economizar".
Lá em casa, somos cinco. Eu, a patroa e três filhos. Todos trabalham e estudam. Aliás, o mais novo com 12 anos só estuda. Este, não gosta quando o povo pergunta se sou avô dele. No popular, meu filho mais novo é chamado de "temporão". Eu já chegava aos 50 anos, quando ele nasceu para nossa alegria e vindo abrilhantar mais ainda nossas vidas.
Gosto do meu trabalho que começa às 7 horas da noite e termina às 7 horas da manhã. São 12 horas de trabalho nas madrugadas geladas de Barbacena. Penso e acredito que tenho sido um homem humilde sem ser pedante. Observo que as pessoas de bem tem carinho e respeito pela minha conduta na sociedade. Cumpro minhas obrigações como cidadão brasileiro, sou um verdadeiro patriota, preocupo-me em lutar para que tenhamos uma pátria mais justa para todos, amo meus familiares e amigos, a natureza, os animais.
Tenho um quintal onde planto alface,couve,rabanete, beterraba, salsinha, coentro, cebolinha e pés de frutas. Gosto de sentir a terra e ver a semente brotar. Possuo ainda dois cachorros que se chamam Bob Marley e Luppi. Tenho ainda um casal de periquitos australianos chamados de Têtê e Teté. A alegria ficou maior com a chegada de uma gatinha que meu filho deu o nome de Doçura.
Aos domingos, sentado embaixo de um pé de pitanga, aprecio os pássaros que são muitos. Tomo um vinho, fico alegre e sorrindo das coisas do mundo como uma receita para ficar rico que vi em um Blog na Internet. Ê mundão sô!!!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo de juventude, Engenheiro Dr.José Campos Rosa, em Teófilo Otoni-MG, em 02/11/2012
ÓLEO DE PEROBA PARA OS POLÍTICOS
João Teixeira, mais conhecido por João Pica Mula não é curandeiro. João Pica Mula é carpinteiro há 40 anos e tem sua oficina situada entre a antiga Rua dos Caianas e Avenida Floriano Peixoto no Bairro Manoel Pimenta que já foi conhecido por Vila do Veneta.
Eu tenho um amigo escritor que mora ou já morou ali naquelas bandas e se chama José Alfredo Brandão. Este, dotado de uma inteligência rara, escreveu vários livros onde aborda temas e personagens de Teófilo Otoni e região do Vale do Mucuri.
Confesso que sempre gostei do estilo José Brandão. Ele tem a capacidade literária de começarmos a ler seus escritos e não parar. É como você estar com muita sede e encontrar água para beber. Brandão escreve o que já viveu ou vive no meio do povo.
E, foi vivendo no meio do povo, como Brandão, que também passei a escrever sobre o cotidiano das pessoas que ao longo da vida tive o prazer de conhecer e conviver com as mesmas. Assim, escrevo sobre o médico, o taxista, o operário, o radialista, o político, o roceiro, o alfaiate e até mesmo sobre seres fictícios que crio na minha imaginação neste humilde dom que Deus me proporcionou.
E, falando em dom, volto ao início do texto para relembrar do João Pica Mula que tinha o dom da carpintaria com suas criações moveleiras que encantava a todos que procuravam por sua arte. Sempre que sobrava um tempo, passava na carpintaria de Pica Mula para trocarmos um "dedinho de prosa". Gostava quando lhe perguntava para que servia o óleo de peroba. João Pica Mula em sua elementar sabedoria respondia que o óleo de peroba servia para dar brilho aos móveis, mas, " os políticos usam muito para dar brilho na cara. Quanto maior o nariz do mentiroso, maior o brilho, principalmente em véspera de eleições".
De volta para casa, eu ficava matutando: " Daqui a quatro anos eles voltam". João Pica Mula tinha razão!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu saudoso amigo Chico carpinteiro, um operário do bem. Barbacena,03/11/2012
Eu tenho um amigo escritor que mora ou já morou ali naquelas bandas e se chama José Alfredo Brandão. Este, dotado de uma inteligência rara, escreveu vários livros onde aborda temas e personagens de Teófilo Otoni e região do Vale do Mucuri.
Confesso que sempre gostei do estilo José Brandão. Ele tem a capacidade literária de começarmos a ler seus escritos e não parar. É como você estar com muita sede e encontrar água para beber. Brandão escreve o que já viveu ou vive no meio do povo.
E, foi vivendo no meio do povo, como Brandão, que também passei a escrever sobre o cotidiano das pessoas que ao longo da vida tive o prazer de conhecer e conviver com as mesmas. Assim, escrevo sobre o médico, o taxista, o operário, o radialista, o político, o roceiro, o alfaiate e até mesmo sobre seres fictícios que crio na minha imaginação neste humilde dom que Deus me proporcionou.
E, falando em dom, volto ao início do texto para relembrar do João Pica Mula que tinha o dom da carpintaria com suas criações moveleiras que encantava a todos que procuravam por sua arte. Sempre que sobrava um tempo, passava na carpintaria de Pica Mula para trocarmos um "dedinho de prosa". Gostava quando lhe perguntava para que servia o óleo de peroba. João Pica Mula em sua elementar sabedoria respondia que o óleo de peroba servia para dar brilho aos móveis, mas, " os políticos usam muito para dar brilho na cara. Quanto maior o nariz do mentiroso, maior o brilho, principalmente em véspera de eleições".
De volta para casa, eu ficava matutando: " Daqui a quatro anos eles voltam". João Pica Mula tinha razão!
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu saudoso amigo Chico carpinteiro, um operário do bem. Barbacena,03/11/2012
ARIOVALDO, MILITANTE SEM MENSALÃO
Recebi carta de Ariovaldo. Somos amigos há muito tempo. Ariovaldo é mais velho que eu. Ele tem o apelido de brabo. Seu pai chamava-se Vicencio e sua mãe Altina. Ariovaldo ou brabo nasceu na mesma rua, que eu, da pequena Vila Verônica. Tudo era muito simples. Não tínhamos telefone, televisão e nem brinquedos. Nós mesmos criávamos nossos brinquedos. O rádio e a vitrola de disco de vinil eram objetos de luxo.
Vez ou outra, a gente ia ao cinema que se chamava Império ou popularmente também chamado de "poeira" pelos mais antigos .Depois do cinema, a gente passava no bar do seo Arruda ali na beira da linha e tomava café com leite.
Ariovaldo tinha um cabelo comprido, segundo ele a a bíblia, a força do homem estava no cabelo. Assim Sansão tinha no cabelo a sua força para vencer os inimigos. Dizem que brabo se tornou valente após deixar o cabelo crescer. Brabo era e é torcedor do Flamengo. Gostava de subir na lage para soltar rojão nas vitórias do seu time.
Ariovaldo relata em sua carta que ainda não tem computador. Reclama que estudou pouco, tendo em vista que precisava trabalhar para ajudar os pais. Terminou só o antigo curso primário. Tentou curso antigo de datilografia e desistiu. Diz que lê pouco e pede perdão pela caligrafia ruim. Sua carta é bem simples,como ele e a maioria dos trabalhadores brasileiros.
Ariovaldo reclama na missiva que anda muito só.Vive de recordações do passado e ninguém o visita ou lhe conhece nas ruas. Ele era o "rei do pedaço" e não se conforma com o ostracismo em que se encontra. Ele diz que se fechou e manda uma banana para o mundo.
Ariovaldo ainda não aposentou devido atraso com a previdência Social. Ele diz que teve patrão que não recolheu o FGTS e ele a "ver navios". "Fazer o que? a corda só quebra para o lado do mais fraco", relata com ar de revolta. Ariovaldo era militante. Um aguerrido ativista social e na carta diz que "tá com muita raiva do PT, Zé Dirceu, Delúbio e Zé Genoino. "Traidores do telhado de vidro", esbraveja brabo.
Ariovaldo questiona que ando sumido.Segundo ele, o povo da Vila Verônica gostava de mim desde o tempo em que eu organizava clube de jovens e futebol aos domingos. Brabo diz que virei camisolão ou me converti. "Virou crente"? pergunta Ariovaldo.
Vou responder a carta de Ariovaldo. Afinal,não consigo esquecer uma frase do seu pai Vicencio: "Ariovaldo, passa prá dentro que seu bico já está torto". A saudade me diz que não era só o bico de Ariovaldo que estava torto de tanto beber umas e outras e combater injustiças socais. A saudade me diz que Ariovaldo ou brabo somos todos nós, trabalhadores dessa imensa pátria brasileira ainda com tantas desigualdades sociais.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado aos meus amigos de infância e juventude da inesquecível Vila Verônica em Teófilo Otoni-MG. Em 03/11/2012
Vez ou outra, a gente ia ao cinema que se chamava Império ou popularmente também chamado de "poeira" pelos mais antigos .Depois do cinema, a gente passava no bar do seo Arruda ali na beira da linha e tomava café com leite.
Ariovaldo tinha um cabelo comprido, segundo ele a a bíblia, a força do homem estava no cabelo. Assim Sansão tinha no cabelo a sua força para vencer os inimigos. Dizem que brabo se tornou valente após deixar o cabelo crescer. Brabo era e é torcedor do Flamengo. Gostava de subir na lage para soltar rojão nas vitórias do seu time.
Ariovaldo relata em sua carta que ainda não tem computador. Reclama que estudou pouco, tendo em vista que precisava trabalhar para ajudar os pais. Terminou só o antigo curso primário. Tentou curso antigo de datilografia e desistiu. Diz que lê pouco e pede perdão pela caligrafia ruim. Sua carta é bem simples,como ele e a maioria dos trabalhadores brasileiros.
Ariovaldo reclama na missiva que anda muito só.Vive de recordações do passado e ninguém o visita ou lhe conhece nas ruas. Ele era o "rei do pedaço" e não se conforma com o ostracismo em que se encontra. Ele diz que se fechou e manda uma banana para o mundo.
Ariovaldo ainda não aposentou devido atraso com a previdência Social. Ele diz que teve patrão que não recolheu o FGTS e ele a "ver navios". "Fazer o que? a corda só quebra para o lado do mais fraco", relata com ar de revolta. Ariovaldo era militante. Um aguerrido ativista social e na carta diz que "tá com muita raiva do PT, Zé Dirceu, Delúbio e Zé Genoino. "Traidores do telhado de vidro", esbraveja brabo.
Ariovaldo questiona que ando sumido.Segundo ele, o povo da Vila Verônica gostava de mim desde o tempo em que eu organizava clube de jovens e futebol aos domingos. Brabo diz que virei camisolão ou me converti. "Virou crente"? pergunta Ariovaldo.
Vou responder a carta de Ariovaldo. Afinal,não consigo esquecer uma frase do seu pai Vicencio: "Ariovaldo, passa prá dentro que seu bico já está torto". A saudade me diz que não era só o bico de Ariovaldo que estava torto de tanto beber umas e outras e combater injustiças socais. A saudade me diz que Ariovaldo ou brabo somos todos nós, trabalhadores dessa imensa pátria brasileira ainda com tantas desigualdades sociais.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado aos meus amigos de infância e juventude da inesquecível Vila Verônica em Teófilo Otoni-MG. Em 03/11/2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
TÉO GARROCHO? ESTÁ LÁ NO CEMITÉRIO MUNICIPAL DE TEÓFILO OTONI
Trabalhei durante oito anos no cemitério municipal de Teófilo Otoni. Exatamente de 1985 a 2003. Quando algum amigo perguntava ao meu pai ou á minha mãe sobre mim e por onde eu andava, eles respondiam que eu estava lá no cemitério municipal. "Meu Deus, tão novo, dona Laura","Téo? morreu de quê, seo Tim?", "Era um bom rapaz, que Deus o tenha". Eram frases de reação e espanto ás respostas dos meus pais em relação a mim que trabalhava no cemitério.
Trabalhando ali, confesso que aprendi muito,ou seja, amadureci minha concepção sobre a vida. Foi ali que aprendi que a morte é mesmo " como um navio de passageiros que parte deixando todos tristes e alegria quando este mesmo navio aporta em outro porto". Não me lembro do nome do rabino que fez esta profunda comparação.
Para muitos e não são poucos, a pessoa morre e acabou. Não acreditam em julgamento, paraíso ou inferno. "Aqui se faz, aqui se paga" e por ai vai. Penso e sempre pensei que não existem pessoas ruins. Penso que são os problemas íntimos, particulares, que levam milhares de homens e mulheres a possuir um coração duro. Penso também que enquanto durar o fechamento da alma, a pessoa acaba ficando sozinho na vida. Quem tem o coração magoado acaba acumulando uma ferrugem na alma. Não perdoa e jamais pede perdão pelas ofensas cometidas ou recebidas.
Lembro de um jovem assaltante que foi assassinado com apenas 20 anos e seu corpo estava em um mísero caixão para indigente no necrotério á espera de algum parente para sepultamento. Foi quando chegou uma senhora e pediu para ver o jovem morto. Notei que ela ficou alegre com a morte do jovem e até perguntou se eu tinha a cal e uma pá. Perguntei a ela o que ela queria fazer e ela respondeu-me que tinha prometido "quando aquele desgraçado morresse, ela ia jogar uma pá de cal na cara dele". Assim,por certo, aquela senhora ainda não havia conhecido a arte do perdão e por certo viveria por muito tempo com ódio no coração, impedindo até mesmo sua felicidade.
Naqueles oito anos que trabalhei no cemitério, descobri que a essência da vida é o amor. Quem ama perdoa sempre. Penso que, se Deus é perfeito e perdoa a todos nós, por qual motivo nós que somos seres imperfeitos não perdoamos? Penso que já descobri a essência da vida e você...?
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho-(Téo Garrocho)- Texto dedicado a Deus, pelo perdão ás minhas fraquezas e imperfeições. Barbacena,em 22/10/2012
LADRÃO EM BRASÍLIA E LADRÃO EM TEÓFILO OTONI
Conheci muita gente que costumavam dizer que era ladrão. Foram tantos que daria uma extensa lista.Quando trabalhei cemitério municipal de Teófilo Otoni,vez ou outra, a polícia vivia perseguindo ladrão no interior do famoso Laborum Meta.
Tinha um tal de "Pé de Anjo" que, diziam, era um mestre em furtar as viúvas que frequentavam o cemitério.O tal Pé de Anjo não usava de violência e só furtava as viúvas ricas. Pé de Anjo tinha este apelido porque só assaltava com pés descalços para não fazer barulho. Quando a polícia vinha investigar e observava as pegadas, não tinha dúvidas,tinha sido Pé de Anjo.
Outro ladrão muito conhecido foi Toninho "Bosteiro". Diziam que ele era violento e após roubar as pessoas, dava tiros para a vítima correr "cagando nas calças". Dai o apelido Toninho Bosteiro que morreu jovem e assassinado.
No dia de finados tinha um tal "Beija Flor" que era um artista em vender flores furtadas dos jazigos. Ele ficava observando as pessoas colocando belas flores nos jazigos e quando iam embora, aparecia o tal Beija Flor e catava as flores para revender na entrada do cemitério a preço de banana. Sua prática ilícita não durou muito, tendo em vista que outros "Beija Flores" surgiram e gerou discórdia no meio maléfico. Assim todos foram descobertos e presos.
Esse negócio de furto e roubo é bem antigo. Tem um amigo meu que disse ter existido um prefeito pelas bandas do Vale do Mucuri que roubava demais. Quando o tal prefeito era questionado sobre suas supostas ações ilícitas, grande parte do povo repetia em coro nas praças públicas uma citação máxima que encarna a corrupção: " Fulano,o prefeito, rouba, mas faz". Ladrão é mesmo coisa antiga e exemplo nós temos quando dois foram crucificados junto com Jesus Cristo.
Estou escrevendo este texto para lembrar ao povo brasileiro que tanto aplaudiu a novela Avenida Brasil, que está acontecendo em Brasília o julgamento do famoso mensalão. É preciso que todos nós amantes de uma postura honesta e transparente em nossa pátria, torçamos para que todos aqueles que usaram da prática de atos ilícitos na administração pública sejam condenados e cumpram suas penas nos presídios que afinal não foram feitos só para os Toninhos Bosteiros, Beija Flores e Pés de Anjos da vida.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á minha amiga Maria do Carmo Ferreira da Silva (Cacá), Ex Prefeita de Araçuaí-MG.Texto escrito em Barbacena,em 22/10/2012
Tinha um tal de "Pé de Anjo" que, diziam, era um mestre em furtar as viúvas que frequentavam o cemitério.O tal Pé de Anjo não usava de violência e só furtava as viúvas ricas. Pé de Anjo tinha este apelido porque só assaltava com pés descalços para não fazer barulho. Quando a polícia vinha investigar e observava as pegadas, não tinha dúvidas,tinha sido Pé de Anjo.
Outro ladrão muito conhecido foi Toninho "Bosteiro". Diziam que ele era violento e após roubar as pessoas, dava tiros para a vítima correr "cagando nas calças". Dai o apelido Toninho Bosteiro que morreu jovem e assassinado.
No dia de finados tinha um tal "Beija Flor" que era um artista em vender flores furtadas dos jazigos. Ele ficava observando as pessoas colocando belas flores nos jazigos e quando iam embora, aparecia o tal Beija Flor e catava as flores para revender na entrada do cemitério a preço de banana. Sua prática ilícita não durou muito, tendo em vista que outros "Beija Flores" surgiram e gerou discórdia no meio maléfico. Assim todos foram descobertos e presos.
Esse negócio de furto e roubo é bem antigo. Tem um amigo meu que disse ter existido um prefeito pelas bandas do Vale do Mucuri que roubava demais. Quando o tal prefeito era questionado sobre suas supostas ações ilícitas, grande parte do povo repetia em coro nas praças públicas uma citação máxima que encarna a corrupção: " Fulano,o prefeito, rouba, mas faz". Ladrão é mesmo coisa antiga e exemplo nós temos quando dois foram crucificados junto com Jesus Cristo.
Estou escrevendo este texto para lembrar ao povo brasileiro que tanto aplaudiu a novela Avenida Brasil, que está acontecendo em Brasília o julgamento do famoso mensalão. É preciso que todos nós amantes de uma postura honesta e transparente em nossa pátria, torçamos para que todos aqueles que usaram da prática de atos ilícitos na administração pública sejam condenados e cumpram suas penas nos presídios que afinal não foram feitos só para os Toninhos Bosteiros, Beija Flores e Pés de Anjos da vida.
Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á minha amiga Maria do Carmo Ferreira da Silva (Cacá), Ex Prefeita de Araçuaí-MG.Texto escrito em Barbacena,em 22/10/2012




