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sexta-feira, 6 de abril de 2012

FOMOS E SOMOS TODOS IGUAIS EM TEÓFILO OTONI



Na minha juventude, talvez por influência do meu pai que era muito ligado ás pessoas mais humildes, não frequentei ambientes muito luxuosos ou elitizados de Teófilo Otoni. Estou escrevendo este texto para preservar um pouco da história e memória da nossa terra natal Teófilo Otoni, onde, nas décadas de 60 e 70 vivi intensamente. Àquela época, apesar da nojenta ditadura militar e sua opressão, tínhamos uma juventude muito politizada.

Pois bem, para não deixar a memória esquecer, gostaria de começar pelos cinemas onde eu e muitos da nossa juventude frequentávamos o Cine Império ( o popular poeira) onde cheguei a assistir muitos filmes de Bang-Bang. Assisti ainda filmes no antigo cine Ideal que ficava no Bairro Manoel Pimenta (Antiga Vila do Veneta). Lembro também que um senhor de nome Moacir Pungyrum, construiu um prédio para cinema na Vila Verônica e que seria um novo cinema. O prédio desabou antes da inauguração....graças a Deus!!!
Frequentei clubes simples de danças onde havia grande frequência de filhos e filhas de trabalhadores. O Sete de Setembro(Caninha Verde) ainda existe até os dias atuais e fica ali próximo á Praça Germânica(Praça dos Alemães).

Havia também o clube Concórdia que ficava ali na subida da Rua João Lorentz (Morro do América) e o eterno clube do São Benedito na Vila Barreiros, onde, aos sábados era tanta gente que ficava até difícil para entrar. Lembro ainda que tanto eu como vários amigos de juventude passávamos antes no centro espírita de dona Maria José Leite, para tomar um "passe" de algum pai de santo, até chegar no clube que ficava pertinho.

Era comum, depois do cinema das 20 horas, a turma ir para a zona boêmia ( Chico Sá, Beco do Waldemar, Buraco Doce) . A gente tinha o costume de entrar nas inúmeras boites com luz negra e se encantar com mulheres de decotes curtos e saias bem curtinhas. Era o "paraíso" para nós jovens amantes da carne e o inferno para os conservadores engravatados da tradicional família burguesa de Teófilo Otoni. Altas horas, ainda tínhamos tempo para dar um pulo até a famosa zona boêmia do Carrapatinho que ficava ali na entrada da Vila Verônica, ou, no Curral das Éguas que ficava próximo á antiga Rua do Arrasta Couro.

No futebol, tudo era festa. tinha vários campos de futebol. Cansei de jogar futebol no campo do antigo D.E.R no final da Bela Vista , no belo campo do antigo São Benedito Futebol Clube na Vila Barreiros, Carecão da Vila Pedrosa, Campo da Igrejinha de Nossa Senhora dos Pobres na Vila Verônica, Campo da Vaquejada na João Lopes da Silva, Campo da Turma 37, Campo da Jaqueira, Campo do Marajoara, Campo do Pontilhão no Bairro Palmeiras. Os times de várzea eram tão bons que alguns ficaram famosos a exemplo do Estação que era um bicho papão e tinha grandes jogadores em seu elenco como Toninho Almeida que mais tarde se tornou profissional jogando pelo grande Cruzeiro de Minas Gerais.

Também aos domingos tinha o famoso matinal X7 no Cine Vitória e que era comandado pelo senhor Lourival Pechir, o pioneiro da Rádio em Téofilo Otoni. Certa vez, cheguei a inscrever-me no programa de calouros para cantar a música "Querida" de Jerry Adriane, mas, faltou coragem na hora de enfrentar o palco e a multidão. Desisti e até perdi a namorada...

Difícil acreditar que tomamos muito banho no Rio Todos os Santos ali pelas bandas do "Quente Frio" que ficava abaixo do Clube Palmeiras e ao lado da Avenida Alberto Laender. Se, ali já era gostoso tomar banho, imagine uma turma de jovens seguindo para os lados da Suíssa e Cachoeirinha que ficava no final do Bairro Palmeiras e Gangorrinha.

Altas horas da noite e sem medo da repressão, ainda tínhamos tempo, com Rossine, Bida, Jaime Gomes, Ivan Cavalcante, Jorginho "maravilha", Gera Prates, Adelson, e outros, tempo para cantar "caminhando e cantando" de Wandré...


Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo de juventude, Jaime Gomes, autor do livro " Um trem que passou em minha vida"- Poeta e escritor do Vale do Mucuri- Em 06/03/2012

NÃO ERA PECADO



Eu sou de um tempo em que tudo era pecado. Cresci, ouvindo que eu estava pecando ou prestes a pecar. Para completar, diziam que poderia passar uma temporada sobre as brasas do inferno e ainda cutucado a todo momento pelo ferrão do vermelho e chifrudo rabudo. Isto mesmo, capeta vermelho. Áquela época eu já tinha uma leve impressão que criaram a cor vermelha para demonstrar que aqueles que eram comunistas, a exemplo do meu pai, tinham parte com o rabudo.
Dona Chiquinha Ottoni dava aulas de catecismo para mim e vários companheiros de infância da antiga Vila Verônica, onde nasci. Uma certa vez , olhando para o firmamento ou céu como queiram, disse para dona Chiquinha que "o tempo tá prá chuva". Imediatamente ela puxou minha orelha e disse que "era pecado", pois só Deus sabia o tempo de chover. Assim, como castigo para o perfeito perdoar-me, eu tinha que rezar cinco pai-nosso, cinco ave maria e um credo.
Então, fui crescendo meio na dúvida em relação ao pecado. Afinal, eu era filho de um comunista e "tinha a quem puxar" segundo dona Chiquinha. Para fortalecer o pensamento dela, eu era o único a questionar aquelas penitências de carregar pedras na cabeça até o alto da igrejinha nossa senhora dos pobres e cantando orações pedindo chuva a Deus.
Meu pai, velho comunista, dizia que as melhores terras do Brasil ficaram nas mãos dos grandes latifundiários ou na mão dos imigrantes de olhos azuis. Meu pai dizia também que naquelas terras, as chuvas eram abundantes, com fartura e ai...eu perguntava a dona Chiquinha: "Deus esqueceu de nós?"
O tempo passou. Hoje, ao assistir o jornal na televisão, escutei falar que não vai chover no feriado prolongado da semana santa. Veio a lembrança de uma época em quase tudo era pecado. Meu pai, velho comunista, continua murmurando que pecado é uma pátria sem justiça social.

Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo de juventude, Ivan Cavalcante, grande jogador de futebol dos anos setenta no Concórdia Atlético Clube de Teófilo Otoni. Em 06/03/2012.


sábado, 31 de março de 2012

EU QUERO MORRER...



Quando tirei férias, estive em Teófilo Otoni e visitei vários amigos. Entre um abraço aqui e um aperto de mão dali, tive a grata surpresa de rever minha antiga amiga e companheira velha de guerra contra a ditadura militar, a prostituta Lora, que, sempre irreverente, abraçou-me com força dizendo que nunca esqueceu das lutas em prol da liberdade da pátria.
Senti, naquele momento, que Lora já tinha tomado algumas cachaças devido ao cheiro exalado fortemente em minhas narinas. Ela me dizia que tinha algo a me falar e tomamos o caminho para a Praça Tiradentes em busca de um solitário banco de praça para que tanto ela, como eu, lembrasse nossas fraquezas, nossas angústias, nossos sonhos...
Então, Lora disse-me: " Olha Téo, estou pensando na possibilidade de morrer. Tanto faz dormindo, bêbada, câncer de pulmão ou laringe(como Lula), aneurisma, pneumonia, tuberculose,etc...etc..., o que importa é morrer e pronto. Quero dar trabalho para enterrar a matéria e quero dar trabalho na chegada ao paraíso ou ao inferno,
Quero, meu amigo Téo, passagem direta, nada de paradas em esferas X ou Y, quero passagem sem muita burocracia espiritual. Tem que ser sim, sim, não, não, nada de baldeação, nada de jeitinho de vou rever sua trajetória terrestre. Ou é céu ou é inferno.
Quero dar trabalho para enterrar a matéria. Correria, cartório, dinheiro para caixão, lenço para lágrimas, aviso fúnebre nas rádios, serviço para coveiros, compra de roupas fúnebres, despesas com flores, velas e sem contar que a caminho do cemitério mais trabalho para o trânsito e transeuntes se benzendo, orações, reflexões e o eterno "vai com Deus".
No meu velório vou dar trabalho para mim mesma escutando a todo momento que fui uma boa mulher, honesta e trabalhadora. Era uma vadia, mas tinha bom coração, Deus tenha misericórdia da alma dela, uma grande mulher, uma guerreira, vai fazer falta e etc...etc...
Quero, meu amigo Téo, revesamento naqueles que vão pegar na alça do meu caixão. Nas alças do fundo quero dois mentirosos e enganadores do povo que podem ser políticos. Nas alças do meio quero dois que dizem pregar a palavra de Deus e são tão mentirosos quantos os políticos. Nas alças da frente quero meu pai e minha mãe, para que quando eu chegar no céu ou no inferno, lembrar que eles me deram o dom de viver nesta porcaria de mundo terrestre e nunca, nunca me pediram nada a não ser amá-los e respeitá-los.
Após tanto trabalho, amigo Téo, gostaria que alguém da minha família ou você mesmo meu velho companheiro de lutas sociais, gostaria que fizessem uma placa com os seguintes dizeres para colocar na minha sepultura: "aqui descansa em paz uma mulher que tinha pavor de ditadura, torturador, relâmpago, trovão, vento forte, temporal, eletricidade e botijão de gás".
Para encerrar, meu companheiro Téo, não esqueçam de fechar o portão do cemitério. Vou dar trabalho no céu ou no inferno. Os santos e os capetas, se é que existem, me aguardem".
Depois deste longo desabafo num banco solitário da praça Tiradentes, eu e Lora fomos tomar uma cerveja gelada para relembrar os velhos tempos de luta contra a ditadura militar.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a Angelina, uma inteligência rara que conheci em Ipatinga na década de 1970- Barbacena, em 31 de março de 2012( Data da vergonha nacional brasileira)

terça-feira, 27 de março de 2012

HOMENAGEM AO POVO NA SUA ESSÊNCIA EM TEÓFILO OTONI

É comum em todo o Brasil, câmaras municipais fazerem homenagens a personalidades que trabalham em prol do engrandecimento do município. Sempre observei nestas homenagens, sem tirar o mérito das mesmas, uma certa tendência a outorgar medalhas, diplomas e moção a uma classe mais elitizada. A não ser moção, é muito raro fazerem homenagens a operários, gente simples que fizeram, fazem história em várias atividades e jamais foram sequer citadas em reuniões de câmaras municipais que também são chamadas de "casa do povo".
Pois bem, se a "casa é do povo", penso que o povo na sua essência deveria e deve ser lembrado com mais frequência pela sua valiosa contribuição á construção do município. Assim, penso, quem sabe um dia o povo retornaria ás reuniões de câmaras municipais onde são discutidos e elaborados os destinos da sua terra.
Em Teófilo Otoni, minha terra natal, eu poderia enumerar centenas de homens e mulheres trabalhadores que praticamente ficaram no esquecimento e por certo haverão de ficar. Ouço falar sempre que "uma terra, um povo que não preserva sua história, acaba sendo uma terra sem memória para as futuras gerações. Deve ser como não ter vida...
É preciso que atentemos para este detalhe urgentemente e com isto não criarmos um pensamento espiritual de rejeição ao nosso torrão natal em decorrência do esquecimento aos nossos antepassados que tanto lutaram pela grandeza da nossa terra.
Para ilustrar este texto, lembro que estava presente no enterro do falecido João Gabriel da Costa, o popular Seo Nô e posso afirmar com certeza que foi o maior acompanhamento de populares a um cortejo fúnebre em Teófilo Otoni. Seo Nô não era e nunca foi um homem rico e elitizado, mas, Seo Nô tinha "cheiro de povo", adjetivo pouco comum em muitos atuais vereadores de Teófilo Otoni e de outras câmaras municipais do Brasil.
Um dos filhos do Seo Nô, Humberto Salustiano Costa, que é jornalista na cidade de Caratinga(Terra do grande Ziraldo) disse naquele dia uma frase que ficou gravada na minha memória e no meu coração. Ao olhar para aquela multidão que acompanhava o enterro do seu pai, ele solitariamente disse: "Vocês são um povo maravilhoso".
Fica ai registrado de como são as reações dos filhos dos operários e operárias quando sentem seus pais serem reconhecidos mesmo após a morte. Preservamos então a história e façamos justiça...


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao saudoso João Gabriel Salustiano Costa( João de Seo Nô), filho de Nõ, amigo fraterno em Teófilo Otoni. Em 27/03/2012, Barbacena-MG.

sexta-feira, 23 de março de 2012

ZÉJÚLIO, O PREFEITO GAY


Desde menino, José Júlio já cantava no coral da igreja. Aos doze anos já era coroinha e aos dezoito anos chegou ao posto de sacristão abençoado pelo velho e bondoso padre Zoel e para alegria e orgulho de dona Santinha, genitora de José Júlio.
José para uns e Julinho para outros, o tempo foi passando e até o consenso popular que emplacou Zéjúlio para o ativo e saltitante filho da dona Santinha que a todo momento agradecia à virgem Maria pelo filho querido.
Seo Juca, o pai, homem sisudo, cabra macho do Vale do Jequitinhonha, olhar desconfiado, queria mesmo era um Zéjúlio domador de burro e jegue bravo por aquelas bandas. Queria mesmo era ver Zéjúlio enfiando as esporas nas bundas da bicharada. Mas, que nada, o menino não tinha dom, o menino gritava por dona Santinha ao menor sinal do jegue em dar um coice.
Seo Juca, cabra valente não desanimava. Ia á cidade de Teófilo Otoni e trazia presentes. Um laço de couro legítimo e um par de esporas prateadas. Que nada de novo, Zéjúlio preferia um par de sapatilhas na cor veludo e um xale bordado com dois pombinhos que dona Santinha passou anos preparando, não se sabe para quem.
Alheio a dúvidas e comentários, Zéjúlio se destacava na pacata Vila dos veados, nome oriundo em consequência da grande quantidade da espécie e preservada por ali graças á intervenção do Zéjúlio. Seo Juca tinha pavor do nome. Já dona Santinha adorava e até incentivava o filho que para não desagradar a pai e mãe, continuava em cima do muro ou escondido no armário.
Como tudo passa, o tempo passou. A Vila dos Veados emancipou-se administrativamente do município de Teófilo Otoni e passou a ser Arco-Iris do Nordeste de Minas. Para não esquecer o passado, alguns moradores, incluindo Zéjúlio, mandaram erguer em praça pública uma estátua de um veado em homenagem ao símbolo do lugar.
Atualmente, a prefeitura ficou mais alegre. Os jardins e praças são mais cuidados, as escolas municipais em bom estado de conservação, a merenda escolar é farta, os professores recebem um ótimo salário, o transporte escolar é de primeira qualidade, os funcionários públicos recebem rigorosamente em dia. Já tem gente dizendo que Arco-Íris do Nordeste de Minas já está sendo chamada de "cidade coração".
No seu gabinete e ao lado de vários assessores alegres, trabalhadores e saltitantes, o prefeito alheio a dúvidas e comentários e calçando uma sapatilha cor de veludo, recebe dona santinha que nunca esqueceu de abençoar o filho: O prefeito Zéjúlio!!!


Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto em Homenagem ao meu saudoso amigo Tristão Dutra, amigo Homossexual dos anos setenta em Teófilo Otoni-MG- Barbacena, 23/03/2012.

quarta-feira, 21 de março de 2012

OS PIRILAMPOS DA MINHA INFÂNCIA

Até certa época da minha infância eu fui muito feliz. Eu tinha um boneco tipo um palhaço que me encantava. Achava engraçado o cabelo colorido do palhaço e seu nariz avermelhado. Eu não desgrudava daquele palhaçinho.
Um tempo depois já com meus doze anos, veio a ditadura militar no Brasil e tudo mudou na minha infância. Perdi o palhaço que tanto amava, perdi o brilho dos olhos, perdi a vontade de acordar e admirar um novo dia, perdi a alegria de brincar e foi nesta época que comecei a sentir a palavra medo...
Mas, na minha inocência e pureza de sentimentos, eu já me perguntava de onde vinha aquele medo? Afinal, o que era medo? Onde estavam meus pais? Onde estava minha família? O que foi feito dos meus amigos que "sumiram" da nossa casa? Onde foi parar o palhaço que me fazia feliz?
Aquele palhaço se "incorporou" em mim. Eu passava nas ruas e sentia risos e chacotas. Eu me sentia num picadeiro de um circo chamado mundo. Um mundo que não quis e não sonhei. Um mundo de maldades, atrocidades, perseguições, tortura, discriminação. A ditadura militar no Brasil transformou nossa família em palhaços e nosso pai em palhaço torturado nos porões das suas atrocidades.
Hoje, principalmente á noite nas madrugadas frias de Barbacena e sozinho no meu quarto onde tenho retratos de Che, Raul Seixas, Ellis Regina, Wandré, Lula e Dilma Guerrilheira, eu já não sinto tanto medo. Vez ou outra na escuridão do quarto surge uma luz aqui e acolá. Sinto que estou encontrando novamente a "duras penas" a alegria de viver.
Meu filho mais novo que ainda sorri com palhacinhos de cabelos coloridos e nariz avermelhado, disse para mim que a luz que sinto aqui e acolá nos meus pensamentos são os pirilampos que não observei na minha infância tão ofuscada pelos desencontros.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a Hélio Rabelo, Marcelo Rubens Paiva, Nilmário Miranda, Jorge Medina e Irmãos, que assim como eu, são filhos de Ex. presos políticos torturados pela ditadura militar no Brasil. Barbacena, 21/03/2012.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A HISTÓRIA É COMPLICADA...

Sempre gostei de história. Foi e continua sendo minha matéria preferida. Alguns colegas de escola diziam que história era matéria decorativa e portanto "fácil" para passar de ano escolar.
"Fácil" ou não, sempre pensei e penso que história é de fato uma paixão antiga que carrego a tiracolo, assim como carrego um velho lenço, um cinto surrado, uma escovinha de cabelo tipo aquelas de enfiar os dedos e minha velha carteira de documentos.
Meu velho pai dizia que "homem tem que andar com documentos, um lenço, cinto e carteira". Interessante que ele, meu pai, nunca falava em dinheiro na carteira. Dai vem mais um motivo para acreditar que meu pai sempre foi comunista quando também dizia a nós seus filhos e ao povo que: "Homem não precisa de dinheiro farto. Só o básico". Segundo meu pai, ele aprendeu esta teoria numas reuniões da POLOP(Política Operária) que eram realizadas por alguns militantes da esquerda e ferroviários da extinta Estrada de Ferro Bahia-Minas em Teófilo Otoni.
Ai, lembro que quando morei em Araçuaí, trabalhando na Prefeitura Municipal no governo de Maria do Carmo Ferreira da Silva(Cacá), eu tinha um amigo que sempre me dizia: "Olha Téo, se o brasileiro estiver com a pança cheia, tudo estará bom para ele". Só faltou ele completar "...e dê circo", de Maquiavel.
Toda vez que lembro daquele amigo, lembro também de um padre meu amigo lá de Teófilo Otoni, o padre Giovani Lisa que também sempre dizia: "Como colocar Deus na mente de um povo faminto, sem saúde, sem cultura?". Assim, lembro também da minha sogra Germana que morou lá pelas bandas do povoado de Ribeirão das Almas no Vale do Jequitinhonha. Ela sempre dizia que: "Saco vazio não para em pé". Com este dito popular, ela fazia com que todos na roça, inclusive eu, comessem torresmo e muito pirão. Era para dar uma tal "sustança", segundo ela.
Outro dia em Barbacena, um professor meu amigo "trocando um dedinho de prosa" comigo, falou que nem tudo é verdade na história. Segundo ele, "alguns escritores não afirmam que tal fato aconteceu realmente e sim que: Dizem, dizem, dizem... e por aí em diante".
Fico a pensar "com meus botões" em alguns fatos a exemplo: Dizem que Wladmir Herzog Suicidou? Dizem que a lei da ficha limpa será executada? Dizem que a comissão da verdade será real? dizem que Dilma está guardando a cadeira para Lula em 2014? Dizem que estão preservando o tal Curió?
Pensando bem, discordo dos meus antigos colegas de escola. História não é tão fácil. É complicada demais...



Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á liberdade de expressão em 19/03/2012-Barbacena-MG