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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

DEDINHO DE PROSA COM LORA, A PROSTITUTA POLITIZADA DE TEÓFILO OTONI

Outro dia estive fazendo caminhada ali pelas bandas do Bairro Ipiranga. Antigamente não havia moradia. Tudo aquilo era pasto e ao lado corria mansamente o hoje tão poluído Rio Todos os Santos. Lembro que já joguei futebol e tomei muito banho naquelas águas tão límpidas no passado. O Rio Todos os Santos encantava a todos com seus vários pés de ingá, muita gente pescando e as famosas lavadeiras de roupa,
Eu vinha naquele "galope" e fui barrado no caminho pela minha inesquecível Lora, a mulher que fez parte do meu passado. Como sempre, parei para escutar aquela mulher que sempre teve em seus lábios, palavras sábias. Ainda que muito humilde sua concepção sobre muitas coisas da vida, Lora, sempre passou para mim o ato de reflexão. Sempre que escutava alguma coisa dos seus lábios, eu pensava: "Meu Deus, tão simples e tão sábia". Verdade, pura e cristalina verdade.
Lora diz para mim: "Téo, te conheci um menino, você cresceu e nunca esqueceu de nós, os mais simples e excluídos do contexto da sociedade. São tantos que passam por aqui fazendo caminhada e quase todos me conheceram em época de muito luxo. Hoje, ninguém me dá um bom dia, ninguém dá um abraço. Afinal Téo, que mundo é este em que estamos vivendo?".
Dei-lhe um forte abraço e a convidei para tomar um café com leite na Lanchonete Central que fica no centro de Teófilo Otoni. Ela agradeceu e diz que não iria. Segundo ela, a depressão tomou conta da sua vida e ela tem vergonha de passar no centro da cidade. "Pobre, sem dinheiro, sem aquele "corpão" bonito que tinha e ainda por cima fedendo cachaça, eu não tenho mais estímulo para rever nem mesmo a fonte luminosa, os bichos preguiça, a banca do Gaitan e nem mesmo procurar meus velhos amigos corretores (Cambalacheiros) de pedras preciosas. Meu tempo passou e esqueceram de mim".
Eu conheço Lora. Ela nunca pediu nada. Vive da ajuda de poucos amigos. Fomos até o Supermercado mais próximo e a presenteei com alguns alimentos básicos para sua sobrevivência. Ao despedir, ela deixou dois bilhetinhos no bolso da minha bermuda. "Quando sobrar um tempinho. Leia. É mais um daqueles "dedinho de prosa" que sempre gostei de dizer para você. Vá com Deus Téo. Que você seja sempre iluminado".
Já em casa e em frente ao meu velho PC, leio o primeiro bilhetinho: "Hoje não uso mais creme dental. O que eu tinha de dente, apodreceu e caiu. O últimos cacos foram arrancados por um moço que mora aqui no bairro. Ele sempre fala que não é doutor, mas, arrancou direitinho e não doeu nada. Esse tal moço luta pelo povo mais pobre e parece que faz parte do MST (Movimento dos Sem Terra). Ele disse para mim que no passado existiu um que também não era doutor, arrancava dentes e ainda lutava com suas idéias de liberdade para o Brasil. Penso que foi um grande homem. ao contrário de muitos políticos de hoje que "dão a vida" pelo poder, fama e dinheiro".
" Sabe Téo, aquele homem chamado de Tiradentes deu a vida pela nossa liberdade. Acho bonito e trágico o desenrolar da sua vida. Ficou na história do povo brasileiro. lembrei também que você Téo, lá pelos anos setenta, com aquela vasta cabeleira. tinha o hábito de falar nas esquinas que: "Deus manda abrir nossas bocas em prol dos mais humildes" e "Os meus bois são a justiça e minha campina, a verdade". Lembra Téo?
"Para terminar, a falsa política com p minúsculo é igual a merda. Quanto mais merda presa ao rabo da maioria dos políticos, mais fede. Um abraço companheiro. Eu, todos nós, gostamos de você!!!"

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)-Texto dedicado ao meu fraterno e bom amigo, Edson Gonçalves Soares, ex. Prefeito de Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena-MG aos 17/10/2014.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

BRIGAS DE FUTEBOL E OUTROS "CAUSOS" EM TEÓFILO OTONI

Segundo meus parentes e amigos, possuo boa memória. Penso que ter uma boa memória é gratificante , principalmente para pessoa como eu que adora história e contar os "causos" da vida. Gosto de escrever ao meu estilo simples onde retrato o cotidiano dos seres humanos. A grande e imortal poeta Cora Coralina, dizia que: "Ler é um ato de liberdade". Como fui e sempre serei um amante da liberdade, tenho o hábito de ler desde os meus velhos tempos de criança, graças ao meu pai Tim Garrocho, que comprava muitos jornais e após lê-los, deixava em cima dos nossos travesseiros para que pudéssemos ler. Assim, desde menino venho aprimorando minha, reconheço, limitada cultura.
Escrevo como um Lapidário lapidando  pedra bruta. Aos poucos e com muita paciência, o Lapidário tem em mãos um linda pedra com facetas de um brilho forte que emociona a Todos. Mais ou Menos assim, com minha velha caneta, vou polindo um folha de papel qualquer com lembranças que estão  sempre vivas na minha memória. Lembranças que fizeram história na minha querida terra natal, Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri em Minas Gerais.
Vez ou outra fico lembrando daquela multidão em dia de finados. Aquilo me impressionava. Pretos e brancos, pobres e ricos, cristãos, ateus e outras crenças, senhoras da sociedade e prostitutas da zona do Chico Sá, mendigos e ladrões, padres, pastores e outros missionários, velas para Deus e velas para o diabo, flores caras para os mais ricos e margaridinhas para os mais humildes, cachaça da boa nas barraquinhas e muito choro, muito lamento. Enfim, no LABORUM META só ficou a saudade. Lá pelas seis horas da noite, o portão era fechado e acredito que os espíritos ou almas daqueles que já partiram, finalmente teriam paz e descansariam após tanto barulho e "burburinho dos homens e mulheres que ainda estão por aqui.
Mas, vamos deixar os mortos em paz e vamos ao ao campo de futebol do América de Teófilo Otoni, onde acontecia um jogo pelo campeonato local entre o América e um time da Prefeitura com nome de Cruzeiro. No América, jogava um atacante muito baixinho que tinha o apelido de Paulinho "Pinico" e no tal Cruzeiro jogava um zagueiro conhecido pelo apelido de Tim "Sapo". Pois bem, o placar estava 0X0 e e no finalzinho do jogo, lançaram uma bola para o Paulinho "Pinico". O zagueiro Tim "sapo" que era e sempre foi um homem muito sério com seu vasto bigode, chegou protegendo a bola e dando as costas para Paulinho"Pinico" que sem muita cerimônia, enfiou o dedo no anus ( Cú) de Tim "Sapo" que perdeu o controle do corpo e da bola, fazendo com que Paulinho "Pinico" fizesse o gol da vitória do América.
Santo Deus, o tempo escureceu. Como um porco capado, Tim "Sapo" saiu correndo atrás de Paulinho "Pinico". Foi uma pancadaria que nem a policia entrou para apartar os envolvidos. A verdade é que Tim "Sapo" nunca mais voltou a jogar futebol. Diziam as más línguas que foi a partir daquele sururú que Paulinho "Pinico" passou a usar umas botinhas de salto alto para ficar maior e despistar Tim "Sapo" em Teófilo Otoni. Diziam ainda as más línguas que o humilde Tim "Sapo", quando questionado sobre o ocorrido, olhava para o firmamento e dizia: " O homem era baixinho, mas o dedão era bem grande". Mais tarde eu volto para contar mais causos" da nossa terrinha. Vou descansar meu dedão...



Autor Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao amigo radialista e excelente comentarista de futebol da Rádio Teófilo Otoni: Eduardo Pechir. Filho do saudoso senhor Lorival Pechir. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 09/10/2014.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

TEM ITAIPAVA AI EM TEÓFILO OTONI?

Eu sempre gostei de comerciais criativos na televisão e no rádio. Na década de 70, eu tinha um amigo meio maluco que, junto comigo, ficávamos escutando comerciais através do rádio e tome gargalhadas. Alguns fizeram história e ficaram gravados em nossa memória a exemplo daquele: " Quem bate? é o frio. Não adianta bater que eu não deixo você entrar...". Era o comercial das famosas Casas Pernambucanas. Quando a televisão chegou em Teófilo Otoni, eu ficava maravilhado com aquele comercial da antiga Casas da Banha, onde apareciam uns porcos dançando e cantando: "Vou dançar o tcha tcha tcha...Casa das Banhas...".
Para mim, o maior comunicador de rádio naquela época foi o Senhor Lourival Pechir. Eu conhecia muito o Lourival Pechir que era compadre dos meus pais. Era padrinho de batismo da minha irmã Márcia. Seus filhos foram e são meus amigos. Sei também que Lourival Pechir foi pioneiro do rádio em Teófilo Otoni. Se não me engano começou com serviço de alto falante e depois fundou a famosa Rádio Teófilo Otoni que hoje é comandada por Élbio Pechir e seus irmãos. O comercial que o senhor Lourival Pechir deixou marcado em minha memória foi aquele em que ele falava: "Fogos Caramurú, os únicos que não dão chabú"
Atualmente, existem grandes empresas de publicidade para criar todo tipo de propaganda. Publicam em jornais, televisão, rádio, internet e por ai vai. Algumas são horríveis e não chamam a atenção. Outras são super criativas e em apenas um minuto conseguem transmitir com eficiência o "peixe" que estão vendendo aos seus clientes, trazendo retorno aos empresários contratantes da publicidade, ou seja, satisfação e lucros financeiros que são objetivos do sistema capitalista.
Mas, voltando aos Fogos Caramurú, "Aqueles que não dão chabú". Eu lembro que minha avó tinha o costume de fazer fogueiras nas festa juninas e comprava muitas bombinhas, traks (isso mesmo?), caixinhas de fósforos tipo "chuvinhas de todas as cores", buscapé e rojão que naquela época eram chamados de " foguetes". Era um dia de Santo Antonio e minha avó ficava com uma bandeja cheia de copos com quentão, servindo aos da família e vistantes. Foi ai que entrei na história ao acender um "foguete" daqueles. Ao invés de apontar para o alto, apontei para a porta de entrada no momento em que minha avó saia com uma bandeja cheia de copos com quentão. Explodiu bem nos peitos da minha avó Verôncia. Foi uma correria, um "Deus nos acuda". Sobrou para mim uma surra de cipó e reflexão sobre o comercial do Lourival Pechir. O "foguete" era Caramurú e "não deu chabú". ou seja, não falhou. Que o diga minha pobre avó que ficou toda sapecada...
Outro dia vi um comercial na televisão que me chamou atenção. Um jovem na praia e perguntando aos vendedores se eles tinham cerveja Itaipava para vender.Corre daqui e dali como se a sola do seu pé estivesse queimando. Como a cerveja Itaipava havia sido muito vendida ( foi o que eu entendi), ele comprou outra e derramou nos seus pés, deixando até mesmo o vendedor de "boca aberta" e espantado com a reação do jovem que na certa só tomava e apreciava a excelente cerveja Itaipava.
Assim "nem que a vaca tussa", eu não deixo de apreciar a criatividade de muitos publicitários que com pequenas frases de efeito, conseguem transmitir mensagem de efeito positivo. Criatividade é mesmo um dom e há décadas atrás o Lourival Pechir já nos encantava com seu dom.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu grande e fraterno amigo Élbio Pechir, diretor da Rádio Teófilo Otoni. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 30/09/2014.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OS DOIDOS DE TEÓFILO OTONI E SEUS CAUSOS

Zé "bichinho ganhou este apelido quando ainda era menino. Na verdade, seu nome verdadeiro era José Azevedo. "bichinho" nasceu e criou ali pelas bandas da Vila Verônica em Teófilo Otoni. Anos mais tarde, Zé "bichinho" veio a se tornar o maior matador de porcos no antigo chiqueiro do saudoso senhor Joaquim Duarte. Assim como Zé "bichinho", foram muitos os meninos com quem convivi por aquelas bandas, Crescemos e vivemos entre morros chamados naquela época de morro do Subaco Fedendo, morro do Cata quiabo, morro da Igrejinha, morro do Eucalipto, morro do Cemitério e morro da favela do pela jegue.
Zé "bichinho" era filho de Vicente que era mais conhecido por Vicente macumbeiro. Vicente morava na antiga Vila do rabicho. Vicente, assim como Dona Margarida, tinham centros espíritas umbandistas. Vizinhas deles, havia Dona Juscelina que fazia "olhados e benzeduras" para uma multidão de gente que vinham de toda parte da cidade e região em busca de alívio e cura para suas doenças, materiais ou espirituais. Mais á frente, morava Dona Chiquinha, beata fervorosa na fé católica e que, junto com Dona Lígia, comandava rezas de terço com rosário, procissões de nossa senhora, menino Jesus e pagamento de promessas até o alto do morro da igrejinha, onde existia um cruzeiro para colocação de pedras que o povo carregava nas costas, rezando e pedindo chuva á Deus.
 No topo de um pequeno morro mais "à esquerda" existia o nosso velho casarão, onde meu pai, um comunista doutrinado, pregava ao povo as idéias de Stalin e Luiz Carlos Prestes ( o Cavaleiro da Esperança). Imaginem como foi minha vida ao conviver com tanto contraste de idéias!
Havia também Zé "caga barro", Zé "sapinho", Zé "muriçoca", Zé "cutia", Zé "catarrento", Zé "babão" e até mesmo o irreverente e inquieto Zé "doido" que vivia a atirar pedras nos telhados dos humildes casebres feitos com tijolo adobe. A maior alegria, se assim podemos definir os desvios de conduta de Zé "doido", era quando alguém gritava: " Olha o cachorro doido. Tá babando. Cachorro doido. Vamos matar, vamos matar!". Aquilo para Zé "doido" era um delírio sem explicação á razão. Para o pobre animal indefeso, significava uma sentença de morte ou como dizia Dante: "Entrai (cachorro), eis aqui o inferno..." e tome pedrada de Zé "doido" e sua turma de "capetas", aliás, de meninos.
Assim, tanto Zé "bichinho" como Zé "doido", eu e outros inúmeros Josés, nascemos e criamos naquela "bagunça" e rebuliço de gente que vieram de várias regiões. Dizem que, graças ao meu pai, que dividia suas terras com os mais pobres e humildes. Comunista doutrinado na causa operária, meu pai sempre falava que: "Terra não tem dono. Terra é de Deus e se somos filhos de Deus, todos nós temos direito a um pedacinho".
Então, cresci escutando e assimilando a doutrina socialista do meu pai, as rezas católicas de Dona Chiquinha na "boquinha da noite", as benzeduras de Dona Juscelina e bem mais á noite escutava o batuque dos tambores de Vicente Macumbeiro e dezenas de outros centros espíritas umbandistas encravados naqueles morros de "excluídos" ou "escórias da sociedade" como falava um certo prefeito referindo-se àquele povo tão sofrido e carente de tudo na vida. Pior ainda era escutar um babaôvo daquele tal prefeito dizer : "Aquele povo merece é taca". Pior mais ainda é saber que aquele antigo prefeito, após décadas, ainda continua mamando nas tetas do erário público, nas tetas dos chamados por ele de "escórias da sociedade".
Toda esta história tem mais ou menos uns 40 anos, Por ironia do destino resido hoje em Barbacena que ainda é conhecida por "cidade dos loucos" e muitas clínicas para tratamento de doentes mentais. Passeando pela aconchegante Praça dos Andradas, deparei-me com um andarilho que dormia ao lado de uma dezena de cachorros abandonados. Ao perguntar-lhe sobre sua vida, ele me disse que todos o conhecem por Zé "doido". Veio de Teófilo Otoni para tratamento psiquiátrico em Barbacena e nunca mais voltou. Em silêncio e olhando naqueles olhos tão tristes de Zé "doido" e nos olhos daqueles cachorros abandonados, eu pensei: "É meu amigo, até as pedras se encontram..."

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho (Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu fraterno amigo Padre Giovani Lisa. Um guerreiro em prol dos mais pobres e humildes da antiga Vila Verônica em Teófilo Otoni. Texto escrito em Barbacena aos 18/09/2014.

domingo, 3 de agosto de 2014

O CANTAR DOS GALOS EM TEÓFILO OTONI

Era bem cedo. os galos da Dona Efigênia já haviam cantado muito e as galinhas já cacarejavam pelo quintal em busca de algum petisco matinal. Milho? só após o despertar da bondosa viúva que após o falecimento do seu inesquecível marido Zico, resolveu criar várias espécies de aves e animais. Pensando bem, ainda me considero um saudosista quando vejo pessoas criando galinhas e outros animais. Lembra meu tempo de criança e juventude na antiga Grota da Verônica, onde nasci. É bem provável que a maioria das pessoas também sente esta mesma saudade que sinto. A maioria das pessoas, penso, tiveram algum contato com sítios e ou fazendas. Um cheiro de mato sempre fez e faz bem a todos.
Certo dia, perguntei a Dona Efigênia o motivo da criação de tantos bichos e ela me respondeu: "Olha Téo, eu gosto deles porque eles não falam." Sendo assim, penso que Dona Efigênia criou um mundo para ela e os bichos que ficam naquele rebuliço imenso no quintal daquela que os adotou como "verdadeiros filhos e filhas".
Ultimamente, venho acreditando firmemente que quanto mais a gente se afasta do burburinho dos homens, a gente sente que a vida fica bem mais suave e sem muitas pertubações mentais. Não foi em vão que Cristo ficou em deserto e alto de montanhas nas suas meditações. Ainda assim, segundo o livro sagrado, o tal rabudo foi lá para tentá-lo.
Nesta vida terrena, tem gente que fala muito. A língua humana é feroz e dizima a vida de muita gente. Pode ser que aquelas palavras de Dona Efigênia de que " gosta dos bichos porque eles não falam" tem muito a ver com a língua feroz de certos seres humanos. Serão os animais e aves mais inteligentes e sábios que nós? Pensando bem, é bem provável.


Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á minha inesquecível professora Dulcina Regina Molina. Um ícone da cultura em Teófilo Otoni- Vale do Mucuri-MG. Uma pessoa que me ensinou a criar laços eternos com a cultura em todos os segmentos. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 03/08/2014.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A LEI DE CAIM

A lei de Caim é a lei do fratricídio. A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade. Lei que nega a noção de todas as leis, lei de inconsciência, que autoriza a perfídia, consagra a brutalidade, eterniza o ódio , premia o roubo, coroa a matança, organiza a devastação, semeia a barbaria, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal.

Lei de anarquia, que se opõe à essência de toda a legalidade, substituindo a regra pelo arbítrio, a ordem pela violência, autoridade pela tirania, o título jurídico pela extorsão armada. Lei animal, que se insurge contra a existência de toda a humanidade, ensaiando o homicídio, propagando a crueza, destruindo lares, bombardeando templos, envolvendo na chacina universal velhos, mulheres e crianças.

Lei de torpeza, que prescreve o coração, a moral, a honra. Lei de mentira na falsa história que escreve, nos falsos pretextos que invoca, na falsa ciência que explora, na falsa dignidade que ostenta, na falsa bravura que assoalha, nas falsas liberdades que reinvidíca, fuzilando enfermeiras, atacando hospitais, metralhando povoações desarmadas, incendiando aldeias, bombardeando cidades abertas, minando as estradas navais do comércio, submergindo navios mercantes, canhoneando tripulações e passageiros refugiados nas lanchas de salvamento, abandonando as vítimas da covardia das suas proezas marítimas aos mares revoltos e aos frios dos invernos boreais. Lei do sofisma, lei da inveja, lei da carniceria, lei do instinto sanguinário, lei do homem brutificado, LEI DE CAIM.

Autor: RUI BARBOSA- Texto retirado do livro: "A ARTE DE ESCREVER", do escritor Francisco da Silveira Bueno, editado pela Editora Saraiva, ano de 1949- Sétima edição, Páginas 37 e 38.

terça-feira, 22 de abril de 2014

AS LÁGRIMAS DAS MÃES EM TEÓFILO OTONI E NA PRAÇA DE MAIO NA ARGENTINA

Com uma flor de margarida nas mãos, Serafina Apolinária dos Anjos, ou Dona Fininha como é mais conhecida na região do Altino Barbosa em Teófilo Otoni, fica parada olhando para o infinito, mergulhada em lembranças do passado. Ultimamente ela fica assim, dando o que falar no seio da família e nos amigos mais fieis.
Dona Fininha perdeu um filho em acidente com veículo na sexta feira da paixão que passou. O trauma foi tão grande que nem mesmo o aconchego da família e de todos, consegue tirar a tristeza daqueles "zoinhos" que teimam em fixar o firmamento. Um firmamento que parece não ter fim e faz vez ou outra brotar uma aguinha em cada cantinho dos "zoinhos" de Dona Fininha.
Eu já vi e presenciei muita coisa triste na minha vida, mas, como lágrima de mãe é difícil ter igual. É uma lágrima sincera, comovente, saudosa como nenhuma outra. É uma resposta da alma machucada por algum revés e fatalidade em relação á família e em especial com os filhos que vieram do seu ventre. E, vendo as lágrimas brotarem dos "zoinhos" de Dona Fininha, lembrei também da minha avó Inês Amado Garrocho que chorava caladinha em um cantinho da sua cozinha ao ver meu pai sendo levado preso pela ditadura militar e entregue aos seus algozes nos porões da tortura. Assim, passei a entender e valorizar mais minha avó, minha mãe e todas as mães do universo.
Assim, a exemplo das lágrimas de Dona Fininha, da minha avó Inês, das mães da Praça de Maio na Argentina e milhares de mães espalhadas pelo mundo inteiro, os chamados poetas do mundo com certeza construiriam um " oceano de saudade" que minam dos "zoinhos" tão magoados da alma de milhares de mães, sejam brancas, pretas, pardas, amarelas. Ricas ou pobres materialmente...
Vou, dentro das minhas limitações de fé, tentar fazer uma prece para Dona Fininha suplantar a dor tão profunda que vem sentindo. Vou tentar, quem sabe, explicar para Deus, que acolha com carinho o seu filho que na verdade sempre foi um pedacinho da sua alma.
Ah! fiquei sabendo que aquela margaridinha nas mãos de Dona Fininha só tinha uma pétala e quando ela tirou, deu "bem-me-quer". Fiquei sabendo também que brotou um suave sorriso no rosto de Dona Fininha. É bem provável que Deus tenha escutado minha humilde prece. Será???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado á todas as mães de Teófilo Otoni que perderam seus filhos precocemente. Também este texto é dedicado a todas as mães que tiveram seus filhos mortos por ditaduras militares a exemplo no Brasil, Chile e Argentina. Enfim, a todas as mães que dos "zoinhos" tristes. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 22/04/2014.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ASSESSOR POLÍTICO NO NORDESTE DE MINAS GERAIS

Toninho "Turiba" tem o costume de repetir um velho ditado quando é questionado por todos em relação sobre a boa vida que vem tendo ultimamente na pacata Vila Jacaré da igualmente pacata cidade de Filadélfia no Nordeste de Minas Gerais. Segundo seu cunhado Deusdete, que há 50 anos labuta arduamente na criação de bodes, o irmão da sua mulher Conceição, está se achando o rei da cocada preta e pegar no cabo da enxada: "Nunca mais".
Sentado na soleira do seu barraco em velha cadeira de balanço comprada no Topa Tudo usados do meu velho amigo Aziz, Toninho Turiba nem parece estar mesmo preocupado com o andar da carruagem da vida. Vez ou outra repete para si mesmo uma antiga frase que escutava um certo político de Filadélfia dizer em um restaurante elitizado do centro da cidade: " Os cães ladram e a caravana passa". Também lembro que um colunista social de nome Ibraim Sued escrevia esta frase em sua coluna de bacanas da sociedade. Dizem que Toninho também costuma repetir uma velha frase de um bunda quente e político safado de Filadélfia que tinha e tem o costume de dizer: "Cria fama e fica na cama" ou "Cria fama e fica na Câmara", como queiram.
Toninho Turiba, assim como muitos da pacata Vila Jacaré não é homem de muita cultura. Sabe mal mal assinar o nome.Na verdade uns garranchos de escrita. Ainda assim, se orgulha quando pega no bico da pena e carimba Antonio Tintino, que na verdade é seu nome de batismo dado pelos pais Maneco e Beatriz que viveram a vida toda fazendo bicos e biscates pela cidade de Filadélfia, onde, dizem que existe um grande amor fraterno entre o povo. Será?. Diferente dos pais, Toninho tem dado o que falar na mesma terra onde também muitos criaram fama e estão nas redes, na cama, na câmara e nos gabinetes com ar condicionado, etc. Será Toninho um discípulo? É bem provável.
A grande verdade de tudo isto é que Toninho Turiba diz para todos que é assessor ou porta voz do prefeito e a verdade verdadeira de tudo isto é que o prefeito detesta Toninho. Na verdade verdadeira da verdade, o prefeito quer mesmo é distância do Toninho que na verdade não passa de um grande pucha saco e babaôvo do prefeito. Assim, como o prefeito tem pavor da língua afiada de Toninho, ele dá uns trocados para Toninho não enfiar a língua nele pelas costas ou meter o pau pelas costas no centro ou miolo da Praça de Filadélfia, como queiram. É bem provável que tanto o prefeito e Toninho tenham " O Príncipe" de Maquiavel como livro de cabeceira. "Se não podes contra o inimigo, junte-se a ele". Os dois, Toninho e o prefeito são na verdade "unha e carne". Um fiel retrato da política com p minúsculo no Brasil...
Então, os anos passam e tudo continua como sempre na pacata Filadélfia. A cada novo mandato conquistado, o velho prefeito, ainda que enojado de conviver com a própria raça que vem criando há anos, relembra sempre, no silêncio da sua consciência (se é que já teve): " O povo, ora bolas para o povo. Quatro anos passa tão rápido que eles nem percebem. Amanhã mesmo vou recrutar mais uma dúzia de Toninhos."
Pobre povo, pobre povo, até quando? Até quando minha querida e pacata Filadélfia???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a todos aqueles que lutam pela transparência e honestidade nas administrações públicas dos municípios brasileiros. Texto escrito em 16/04/2014 em Barbacena-MG.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

SAUDADE DE CAGAR NO MATO EM TEÓFILO OTONI


Para minha surpresa, alguns velhos amigos estão lendo meus simples escritos. Sempre confessei que escrevo sobre temas simples do cotidiano. Peço sempre perdão pelos erros da língua portuguesa. Ainda não tenho uma pessoa para fazer a redação dos meus textos. Adoro relembrar situações cômicas que aconteceram comigo e milhares que já presenciei convivendo com meus amigos e nas esquinas da vida onde este velho mancebo já passou. Nunca esqueço de quando borrei nas " carças" ao subir por aquelas escadarias imensas do antigo orfanato onde estudei quando criança em Teófilo Otoni. Acredito que tem gente borrando nas calças de tanto sorrir daquilo que escrevo. Afinal, são raros os viventes que assumem tais acontecimentos em sua vida, a exemplo de borrar nas calças.
Deixando a merda de lado, voltemos ao início onde eu disse que para minha surpresa, alguns velhos amigos estão entrando em contato com este meditabundo da vida e agradecendo pelos sorrisos que estão florindo das suas carcaças sexagenárias ao lerem o que estou escrevendo. Alguns até confessam que "estão renascendo" e outros dizem sentir que "as rugas e os pés de galinha estão sumindo dos rostos carrancudos". Tem até um tal de Abdias, não o saudoso senador Abdias que foi militante da causa Afro-Brasileira e sim o humilde Abdias que morava ali pelas bandas do antigo Cocá Pelado na Vila Barreiros. Segundo Abdias, ele já tem internet e quando acessa meu (nosso) BLOG, ele diz sorrir tanto que no outro dia pela manhã, seu vizinho pergunta qual filme de comédia ele assistiu na madrugada.
Sei lá, acho que tudo não passa de coisa de caduco. Pode até ser verdade. Não é novidade nenhuma que já tem muita gente da terceira idade que estão "viciados na tal interneta". Eu mesmo, tenho um filho que nem bem eu ligo meu velho e aguerrido PC e ele já passa gritando alto: " Ê pai, tá viciado mesmo". E, pasmem, tem a cara de pau de chamar minha velha patroa para incriminar-me mais ainda: " Chega mãe, olha lá. Ele tá entrando até no Feicibuque". Cruz credo, cruz credo, ô lingua...ô lingua!!!
Pois bem, ainda bem que minha bondosa patroa me defende e diz: "Ah! meu filho, eu não entendo nada disso. Deixa seu pai sossegado. Melhor ficar no PC que nas mesas de boteco". Vitória para mim e caminho livre para escrever meus textos. Então, ultimamente tenho sentido saudade de tudo. É possível que seja mesmo a tal idade. Estou fazendo uma lista de coisas que ainda pretendo fazer, antes de "bater a caçuleta" ou "fechar o palitó" como queiram.
Para começar a lista, pretendo tomar banho pelado ali pelas bandas do Rio Mucuri. Se possível, tirar uma chupeta e dar um salto mortal pelo ar. Será que vou conseguir? Veremos. Outra coisa que pretendo é descer dentro de um carro de pau no antigo morro da igrejinha ali pelas bandas da Vila Verônica e se possível com meu velho amigo "Zé Caga-barro" na direção.Vai ser uma festa e até imagino o povo dizendo: "Téo não tem jeito. Depois então que voltou de Barbacena..." Pretendo também, com certeza, convidar meu velho amigo Pedrinho Jacaré para entrarmos à noite no cemitério municipal e tacar uns ovos podres em alguns políticos de Teófilo Otoni. Ô saudade!!!
Para encerrar minha lista de utopia, peço a Deus que me dê a alegria, antes do "vai com Deus", para sentar embaixo de um frondosa moita e...cagar á vontade. Não, não quero papel higiênico, folha de jornal ou folha de mato para limpar. Eu quero mesmo é um sabugo de milho para roçar na minha bunda e matar saudade de quando morei ali pelas bandas da Vila Verônica em Teófilo Otoni..
Abdias, meu velho amigo já deve estar sorrindo alto pelas madrugadas do Cocá Pelado ali pelas bandas da Vila Barreiros...

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu fraterno e bom amigo Alfaiate "COLA" que reside no antigo Cocá Pelado na Vila Barreiros em Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena-MG aos 04/04/2014.


terça-feira, 11 de março de 2014

UM DIAMANTE A CAMINHO DA SUA VIDA

Estranho.Ultimamente, na minha imaginação, meu telefone anda tocando e quando atendo pareço escutar uma voz que me diz: "Enfia tua mão na loca. Caso não tenha peixe, você encontrará um diamante". Estranho mesmo. Que eu me lembre, pesquei alguns lambaris ali pelas bandas do Vale do Jequitinhonha há uns vinte anos atrás quando trabalhei numa escola estadual no distrito de Engenheiro Schnoor, município de Araçuaí.
Não entendo de peixes. Comentei o caso com meu amigo Oscarino que é um exímio pescador. Segundo ele, peixe que gosta de loca é um tal de cascudo.Segundo ainda o Oscarino, o peixe cascudo é muito apreciado e caríssimo nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Ele ainda diz que ninguém resiste a uma panelada de cascudo, se bem temperada ao molho da região.
Para mim, leigo no assunto peixes, cascudo sempre foi um termo para denominar aqueles tapas na cabeça que em tempos antigos, a criançada tinha o costume de bater na cabeça dos mais novos. Eu, por exemplo, já tomei muito cascudo quando criança e talvez dai o abalamento do meu "coco" ou cérebro como queiram. Segundo meu filho que estuda ciência da computação, o cérebro humano pode ser como a placa mãe de um PC. Se tomar muito bate, pode dar problemas. Não é a toa que um vizinho meu, quando seu PC dá algum defeito, ele leva "o bicho" no maior carinho dentro do ônibus coletivo até a oficina de computadores. Então, a gente, quando criança, deveria também ser tratado com muito carinho. Muito cascudo pode ter abalado a mente de muita criança por este mundão a fora. Certo?
Conversa vai, conversa vem, volto ao assunto da voz que "manda eu enfiar a mão na loca e se não sair peixe, sai diamante". Como meu telefone ainda não tem aquele tal "Bina" ou identificador de chamadas, matuto que pode ser obra de algum desocupado ou então aqueles telefonemas de bancos que querem a todo custo enfiar mais cartão de crédito na vida da gente. Assim, como todo bom mineiro, desconfio e prefiro não meter minha mão na cumbuca. Segundo um velho ditado, a esmola quando é muita, o santo desconfia. Verdade?
Certo ou não do que escrevo, apareceu um amigo meu de muita confiança e relatei sobre o tal telefonema. Para minha surpresa, ele contou que este caso da loca do peixe, aconteceu mesmo no Vale do Jequitinhonha. Segundo ele, uma família muito pobre ficou riquíssima da noite para o dia. É fato sabido que no Rio Jequitinhonha existe muito diamante e ouro. Tem até umas pessoas que exploram ouro e diamante naquele rio e desde criança ouço comentários sobre pessoas que ficaram ricas garimpando naquela região. Segundo o tal amigo, existia um pai que levava seus filhos para mergulhar e pescar os cascudos que ficavam escondidos nas locas, principalmente de dia. Aquele senhor e seus filhos, pescavam os cascudos e trocavam por mercadorias como farinha, fubá, carne seca, arroz, banha de porco e macarrão.
Um certo dia, um dos meninos mergulhou e ao meter a mão na loca não encontrou peixe. Encontrou um grande pedra que para surpresa e alegria daquela família, era um valioso diamante que deixou todos daquela família muito ricos. Segundo meu amigo, o homem ficou rico e continua simples como sempre foi e ainda continua morando por aquelas bandas, ajudando muito o povo pobre daquela região.
São casos como este que fazem a gente pensar que "coisas do outro mundo" acontecem mesmo e de verdade. Tanto que na semana que passou, uma jovem capotou o carro que dirigia por várias vezes e veio a despencar de uma altura de 50 metros caindo em alto mar sob a ponte Rio-Niteroi  no estado do Rio de Janeiro. E, se salvou. 
Assim, penso que quando aquele menino achou aquele diamante na loca do peixe, um milagre aconteceu na vida daquela família carente do Vale do Jequitinhonha. Deus, o arquiteto do universo, tem um propósito na vida deles e assim também na vida da moça que se salvou ao despencar daquela ponte no Rio de Janeiro.
E agora pergunto: na sua vida já aconteceu um milagre? Pode ser que breve você será mais um ou uma a imaginar, assim como eu, uma voz mandando você enfiar a mão na loca. Pode ser que o peixe já esteja com um diamante na boca e vai deixar ali para você a mando de Deus, o "homem" que governa o universo. Tenha fé, tudo vai dar certo!!!

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a meus filhos, Thiago e Charles. Os dois, estão de mudança ( Estudo e trabalho)  para Ouro Preto e Vitória-ES. Que Deus os proteja e que eles sejam felizes. Texto escrito em Barbacena aos 11/03/2014.

quarta-feira, 5 de março de 2014

AMIGOS DE INFÂNCIA E JUVENTUDE EM TEÓFILO OTONI

José Carlos Reichardt era filho de Dona Elza Thomás. Ele nasceu numa comunidade rural próxima ao Cedro que fica no município de Teófilo Otoni. Zé Carlos para uns, Alemão para outros. Para mim, eu o chamava de Garapa. Um apelido de pré adolescência que nasceu nos campos de peladas de futebol espalhados àquela época pelos grandes espaços urbanos na Vila Verônica e antiga favela do Subaco Fedendo.
Zé Carlos ou Garapa, foi criado na antiga favela do Subaco. Sua mãe, Dona Elza, era uma aguerrida mulher trabalhadora que ainda tinha tempo para exercer a função antiga de parteira da comunidade, numa época, mais que hoje, em que o pobre não tinha assistência de saúde pública. Assim, ela ficou conhecida por aquelas bandas como Dona Elza parteira.
Meu amigo Garapa frequentava muito nosso velho casarão. Sua mãe, vez ou outra, fazia umas faxinas para minha avó e minha mãe. O Garapa sempre ia junto. Ainda que pobre no sentido da palavra, ele sempre aparecia por lá com as roupas limpinhas e o cabelo muito bem penteado com um óleo pastoso conhecido por brilhantina. Na verdade, o meu amigo Garapa, devido ao capricho da mãe, se destacava perante os outros meninos pobres da favela. Também na verdade, mesmo sendo mais arrumadinho, ele e sua mãe eram muito queridos por todos da comunidade onde a Dona Elza era muito prestativa com todos.
Meu amigo Garapa estudava na antiga escola da igrejinha Nossa Senhora dos Pobres. A professora era uma abnegada senhora de nome Lígia Gusmão. Essa mesma senhora, algum tempo depois, mudou o nome da antiga favela do Subaco Fedendo para a hoje tão progressista Vila Progresso que fica praticamente no centro de Teófilo Otoni.
Confesso que eu tinha sonho de estudar ali naquela escolinha junto com meu amigo Garapa e meus amigos do Subaco Fedendo. Mas, meus pais, me colocaram no antigo Orfanato Coração de Jesus. Um grande prédio que ficava numa altura imensa acima do hoje Bairro Marajoara. Aquele antigo Orfanato era dirigido por freiras de caridade que eram e ainda são umas mulheres que se cobrem até o pescoço. Então, foi ali que dois acontecimentos ficaram eternizados na minha lembrança: Uma pedrada acertada na minha cabeça e quando, ao subir aquela imensa ladeira, "borrei nas calças". Isso mesmo, foi uma caganeira incontrolável.
Alguns anos depois fui estudar no antigo Colégio São José. Foi cruel. Tinha que acordar quase de madrugada e percorrer uns 5 Quilômetros a pé para chegar naquela ponte velha do famoso rio "Toddy" e avistar aquele maldito portão onde ficava um padre alto, magrelo,vermelho, com apito na boca ou pendurado no pescoço. Era um martírio quando ele soprava aquele apito e gritava para a gente correr, senão ele fecharia o portão.
Mais cruel foi quando veio a ditadura militar e fui desligado daquele colégio de padres. Segundo eles, minha presença atrapalhava o andamento do colégio. Afinal, eu era filho de um comunista e preso político. E assim, passei a não ter onde estudar e fiquei " a pular de galho em galho" recendo não daqui e não dali. Demorei algum tempo para entender a triste realidade de um regime ditatorial que marcou minha vida.
Como tudo passa. Hoje, lembrando daqui e dali,  lembrei do meu velho amigo Garapa. Dizem que ele aposentou como Fiscal de Tributos da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni. Recebi noticias que ele anda muito adoentado, principalmente após o falecimento da sua bondosa mãe Dona Elza. Sinto na alma que preciso revê-lo e falar da saudade de nossa infância e juventude. Afinal, o que levamos deste mundo?

Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu bom amigo de infância e juventude, José Carlos Reichardt, ou, Garapa, Alemão, Zé Carlos da Prefeitura de Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena, aos 05/03/2014.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PASTOR EVANGÉLICO ENGANADO EM TEÓFILO OTONI

Salustiana dos Anjos era costureira ali pelas bandas da antiga zona boêmia do carrapatinho em Teófilo Otoni. Dona Salu,como era mais conhecida, era esposa de Clarismundo Silveira ou pastor Mundão como era mais conhecido o neófito missionário da obra do senhor Jesus Cristo. Antes de se aventurar na missão de Pastor, nosso aguerrido Clarismundo era um humilde camelô. Mantinha uma pequena banca ali pelos arredores da antiga feirinha, vendendo farinha de mandioca oriunda da região dos "Porfiro" que fica no município de Catuji, Vale do Mucuri. Sem muita leitura, Clarismundo, ainda assim tinha o dom da oratória quando clamava por fregueses da sua famosa farinha. Então, como em feira tem de tudo, apareceu um cidadão pregando em praça pública a palavra de Deus. O aguerrido Mundão prestou muita atenção, não na palavra de Deus, e sim no bornal que recebia as ofertas do povo. Não deu outra e Mundão foi invadido pelo pecado da cobiça. Foi a um brechó, comprou paletó e gravata. Arrumou um velho caixote para pedestal e se auto intitulou Pastor Mundão, missionário da obra de Deus. Dito e feito, em uma semana ganhou mais dinheiro que um mês vendendo farinha naquele sol escaldante de Teófilo Otoni.
Em pouco tempo fundou sua própria igreja denominada de "Império dos aflitos por Jesus". Um fiel aqui, outro acolá e segundo estatísticas do mesmo, a "Império" já passava de mil seguidores fieis nas suas pregações e fiel nos dez por cento. "Uma oferta para Deus. Está escrito nas escrituras", rebatia ele quando era questionado por algum "satânico" que desconfia da reviravolta em sua vida.
Entre uma pedalada e outra na antiga máquina de costura marca Singer, Dona Salu observava vez ou outra o namoro de sua única filha que se enrabichou com um playboy cabeludo conhecido por Tico Preguiça. Segundo o tal cabeludo, ele era filho de um grande empresário do ramo de pedras preciosas que são muito comercializadas naquela região. Dona Salu, sábia mulher, desconfiava até mesmo do marido e suas pregações, pensava solitariamente: " Esse cabeludo não me engana. Ele vai dar o bote a qualquer hora na minha Guidinha". Só o pastor Mundão não via ou fingia não ver. fazia a tal "vista grossa" pensando nos milhões do futuro sogro de Margarida.
A vizinha Clotilde, obreira fiel da igreja do Pastor Mundão, vez ou outra dizia que daquela moita iria sair coelho. Clotilde era de fato uma esquentadora de bancos da igreja e não perdia um só culto. Para os seguidores da "Império", ela era uma mulher santa. Mas, assim não pensavam os moradores vizinhos da zona boêmia do carrapatinho que chamavam Clotilde de fofoqueira e possuidora de uma língua afiada. Quando ela passava na rua, as pessoas se benziam e colocavam as plantas de "Comigo ninguém pode" e "Espada de São Jorge" para espantar o "olho ruim da fofoqueira". Alheia aos comentários e de Bíblia colada aos seios, Clotilde dizia em voz alta: " Ô mundo cão".
Meditabundo, Pastor Mundão ficava em quartinho tipo escritório em sua residência. Passavas horas contabilizando as ofertas dos dizimistas. Assim, deixou Guidinha, sua filha, se esbaldar nos braços de Tico Preguiça que se sentia o dono da moita. E o barco rolou, aliás o pau rolou tanto que uma certa noite, Dona Salu em prantos, deu a noticia prevista por Clotilde de que iria sair coelho da moita. " Mundão meu nego, Guidinha tá embuchada".
Bem cedinho, após o galo ter cantado três vezes na madrugada, Pastor Mundão ligou seu fusca 79, comprado segundo ele, com árdua tarefa de pescar almas pecadoras e seguiu para o Bairro Ipiranga onde moravam os supostos pais do tal Tico Preguiça. Amante da cobiça, Pastor Mundão só pensava no grande casamento da filha com o tal playboy milionário. Já até se imaginava trocando de carro. Sonhava com um tal famoso Camaro amarelo. "Guidinha embuchada? Ora bolas, a carne é fraca", dizia para si mesmo.
Ao chegar no endereço, veio a decepção e o mundo cão profetizado pela obreira Clotilde. Aquela, sim, aquela fofoqueira próxima á zona boêmia do carrapatinho que dizia sempre: " Daquela moita, iria sair coelho". Tico Preguiça não era filho do tal empresário. Tico Preguiça, era na verdade o que dava banhos nos cachorros Bob e Lupi do grande empresário. Ainda que digno o seu trabalho, ele recebia apenas o salário mínimo. O mundo rodou na cabeça de Mundão. O pecado cobiça dava gargalhadas e parecia balangar na consciência: " Eu posso até te dar, mas, quando eu quero, eu também posso tirar". E,Mundão voltou arrependido para sua vida simples E, num sábado ensolarado de muito calor, a feirinha de Teófilo Otoni ganhou mais dois vendedores de farinha: Mundão e Tico Preguiça.
Dona Salu continuou suas costuras. Vez ou outra, ela dá um tempo para ajudar Guidinha a dar banho no Jacozinho, seu netinho, que, alheio aos comentários de moita, está todo feliz. A vida continua. Clotilde, aquela da língua afiada, mudou daquelas bandas para alegria de muita gente. Existe até hoje rumores que ela fundou uma igreja lá pelas bandas da antiga zona boêmia do Chico Sá. Mais ou menos pertinho do Buraco doce. Será???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho (Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu grande amigo Tião "Seleiro" em Araçuaí-MG. Tião,um grande artista na arte de fazer selas para cavalos. Tião, meu bom amigo trabalhador do Vale do Jequitinhonha. Texto escrito em Barbacena-MG, aos 27/02/2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CABEÇA DE BURRO EM TEÓFILO OTONI

Minha família já conhece quando estou sentindo saudade da minha terra natal que é Teófilo Otoni. Tenho a nítida impressão que quanto mais velho ou idoso o sujeito, ele sente falta das raízes. Não é a toa que muitos falam que velho é igual a criança, ou seja, gosta de carinho, ser reconhecido e até mesmo paparicado pelos familiares. Tem idoso que quando começa sentir muita saudade de tudo, alguém logo pensa que ele está entrando no pensamento da sepultura. É bem provável que tenha algum fundamento. Lembro que meu saudoso amigo Adão, um excelente pedreiro, morreu pouco tempo depois da passagem de sua amada Hildinha para outra esfera. Os dois viviam como dois passarinhos, ou seja, dando comidinha no bico do outro.
Espero, se Deus permitir, não partir para outra esfera agora. Pretendo ainda assistir a chegada do homem á Marte, a descoberta das vacinas contra a Dengue e o Mal de Chagas, o Brasil menos borrado de corruptos, o fim da impunidade com cumprimento das leis, menos droga e mais educação para todos. Oremos!!!
Mas, vamos deixar de lero lero com este meu blá blá blá, para falar do que comecei no texto que é a saudade de Teófilo Otoni. A saudade da nossa terra natal fica muito forte quando estamos residindo em outras cidades. Penso que com todas as pessoas acontece este sentimento. Tenho um amigo que diz sentir, ao chegar na rodoviária de Belo Horizonte, uma alegria de doido quando avista o guichê de vendas de passagens para Teófilo Otoni. Segundo ele, sua boca chega a espumar quando solicita: " Uma passage prá Tiofotoni". Pois é, alegria de doido e boca espumando não é para qualquer um que nem sente uma longa viagem de quase 600 Quiilômetros. Alguns, dizem, vão até cantando aquela antiga música do Timóteo: "Quando á minha terra eu voltar..." e por ai vai.
Então, quando fico tenso, meus filhos e minha mulher, acompanhados dos dois cachorros que fazem a maior festa, me pegam pelo braço e me deixam embaixo do meu pé de pitanga. Segundo eles, " para refrescar a cuca do velho". Tenho ali um pequeno banco, uma placa com os dizeres: "Benvindo a todos do mundo cão" e no topo da pitangueira tem um catavento que inventei para espantar os ratos de asas ou pombos como queiram. Ô bicho ou ave que deu trabalho e encheu meu saco. Cruz credo, cruz credo!!!
Assim, quando estou ali sentado com as pernas esparrachadas ao Deus dará como Zé Dirceu na Papuda, somente meus dois cachorros se aproximam. Observo, através de um rabo de olho que, por entre as gretas das janelas, minha mulher e meus filhos estão de olho em mim. Finjo não vê-los e "converso" com meus cachorros que entre um afago e outro, abanam os cabos como "dizendo" entender o que falo e penso sobre saudade da minha terra natal.
Meu vizinho, popularmente conhecido por Pintinho, mete a cabeça sobre o muro e diz: "Conversando sozinho, seo Téo?". Nem respondo. Finjo estar dormindo. Já basta minha mulher sussurrando nos ouvidos dos meus filhos: " Gente que conversa com cachorro não bate bem da bola". Por certo, a placa alusiva do mundo cão, ainda não foi e nem será entendida pela minha mulher e meu vizinho Pintinho do bico afiado.
Entre um cochilo e outro, vou lembrando do Buraco doce, do Beco do coelho, do Morro do pau velho, do Morro do feijão bebido, do Subaco fedendo, do Cataquiabo, do Morro do quenta sol, da carne de sol, do Beiju, da pinga da roça, do doce tipo tijolo da banca do Nestor, Programa de rádio do Élbio Pechir, requeijão, "Pela de porco", bucho de boi, biscoito de goma, Xorisso, Macacheira, bate papo na Praça Tiradentes, cabeça de burro enterrada na praça, Jornalzinho da AFATO na banca do Gaitan e bem na hora em que eu estava tomando uma Mate Cola e saboreando um Fofacú, minha mulher grita da janela: " Ô meu preto, tá hora de você tomar seu Rivotril. Vê se pode, acordou-me na hora mais tranquila. Ô mundo cão!!!

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho)- Texto dedicado à minha bondosa irmã Márcia Verônica Garrocho de Andrade, um anjo de luz nas nossas vidas. Texto escrito em Barbacena, aos 10/02/2014.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MÃO AMIGA EM TEÓFILO OTONI

Rosinha vem conquistando a simpatia de todos. Dizem que Rosinha, caso fosse política, todos votariam nela. Rosinha trabalha como faxineira no apartamento 302 de um condomínio de classe média alta em Belo Horizonte. O companheiro de Rosinha, trabalha numa banca de jornais e revistas. Na referida banca, ele vende além de jornais e revistas, chips para celulares, chaveiros do Cruzeiro, Atlético e América. Vende também bilhetes de loterias, chicletes e cigarro a palito com direito a acender num isqueiro que fica amarrado a um barbante na banca de revistas e jornais. O companheiro de Rosinha chama-se Raimundo ou popularmente Mundico como é conhecido pela maioria das pessoas. Dizem que Mundico tem boa conversa e cativa a todos.
Antes de morar em Belo Horizonte, Rosinha e Mundico , na década de 70, viviam em Teófilo Otoni, mais precisamente ali na antiga Rua conhecida por Beco do Coelho. Uma rua estreitinha que ficava próxima á zona boêmia do famoso Chico Sá. Pertinho do Beco do Coelho ficava o famoso Buraco Doce onde aconteciam muitos encontros amorosos dos amantes da noite e boêmia. Ali também moravam os pais de Rosinha e os pais de Munidico que viviam numa situação de pobreza extrema. Na verdade, eram uns miseráveis que viviam das migalhas que sobravam de outros menos miseráveis. Rosinha, vivendo naquele ambiente e cobiçada por muitos da redondeza, batia pé e se mantinha firme num propósito de vencer na vida. Ali mesmo pertinho, estudava com afinco na Escola Geraldo Landi, pensando num futuro melhor para ela e seus familiares. Mundico que morava pertinho e alheio aos devaneios da região, vendia churrasquinhos na esquina da entrada para o morro que antigamente era conhecido por morro do Pau Velho.
Até que numa certa noite como todas as outras apareceu um sujeito para comprar um espetinho do Mundico  e conversaram muito. Falaram da vida, do futuro, dos sonhos, da pátria, da família, enfim de todas as coisas que o ser humano almeja de bom para si. Mundico ficou maravilhado com aquele sujeito que não cansou de elogiar seu humilde trabalho e sua perseverança em dias melhores.
A partir daquela noite, a vida de Mundico começou a mudar. Vez ou outra, aparecia na entrada do seu barraco uma encomenda com arroz, feijão, fubá, macarrão, café, óleo de soja, leite em pó e muitas outras embalagens de alimentos. Também na casa da Rosinha, aparecia também muitos alimentos que deixavam todos da família muito felizes, mas , com uma grande interrogação: Quem estava ajudando?
Até que em uma certa noite, ao voltar do trabalho, Mundico encontrou um bilhete na porta de sua casa, onde estava escrito: " Mundico, aqui tem duas passagens para Belo Horizonte. Você viaja com sua mulher e nós estaremos esperando você na capital. Fique tranquilo, você será nosso novo companheiro. Abraços, seu amigo do espetinho. Lembra?." E assim, Mundico partiu. Acreditou na oportunidade e partiu do interior em busca de um mundo melhor.
"Sem lenço e sem documento", como diz a música, Mundico e Rosinha juntaram os panos de bunda e foram embora para Belo Horizonte. Deixaram para trás a saudade dos pais e o mísero barraco de adobe coberto com velhos pedaços de zinco e papelão. Tudo parecia que um novo dia e um novo amanhecer surgiria na vida dos dois. Afinal, nem sempre a oportunidade bate á nossa porta, ou bate?
Em Belo Horizonte, Mundico e Rosinha foram recebidos por dois homens que os encaminharam a um outro parecido no linguajar com aquele que Mundico conheceu vendendo espetinho na zona boêmia de Teófilo Otoni. Em pouco tempo, tanto Mundico como Rosinha estavam amparados por aquelas pessoas e sistematicamente nunca faltaram a uma reunião em que eles pregavam a igualdade entre todos os seres humanos. Após tanto tempo ali naquelas reuniões, Mundico e Rosinha se tornaram membros efetivos e passaram a propagar as idéias e doutrina socialista. Rosinha, encarregada de cumprir "tarefas" em casas e apartamentos de granfinos da elite brasileira e Mundico como simples dono de banca de revistas e jornais cumprindo "tarefa" no centro de Belo Horizonte.

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrochol)- Texto dedicado ao meu bom amigo político de cidade natal, Nilmário Miranda, Filho do saudoso Oldack Miranda ( Oldack da Casa Miveste em Teófilo Otoni)- Texto escrito em Barbacena-MG, Aos 29/01/2014.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PEDIDO PARA ZEJÚLIO, O PREFEITO GAY

Meu amigo João Miguel, mais conhecido por Miguelzinho, telefonou para mim na quarta feira da semana passada. Segundo ele, escolheu a quarta por ser o dia em que ele e sua mente funciona com mais serenidade. Miguelzinho confessa também que ultimamente tem usado muito a "mardita" cachaça, pinga, tequila ou manguaça como queiram. Confessa também que aos sábados e domingos, ele bebe todas como se estivesse comendo com farinha. Miguelzinho, aos prantos, confessa que tem feito uma misturada de tudo. Diz que começa com uma tal guia de cachaça que "é para o santo", depois uma lourinha suada e lá vem conhaque, mais conhaque, uma cachaça com raiz que pode ser junça ou carqueja e lá pelas tantas da madrugada, segundo ele, desce tudo: Jurubeba, Suco de cana e até mesmo o conhecido Paratudo.
A crucial via sacra de Miguelzinho só acaba na segunda feira e olha lá. Segundo ele, que já assumiu ser alcoólatra, na segunda feira toma mais umas tequilas para rebater as do sábado e domingo: " Se não rebater, as mãos e o corpo ficam tremendo". Com o telefone ao ouvido e em silêncio fiquei ali ouvindo o desabafo do meu amigo Miguel. Para ser sincero, fico preocupado e triste com o atual ritmo de vida que meu velho amigo vem levando. Há 20 anos atrás, Miguelzinho era um fiel sacristão na paróquia do nosso bairro. Naquela época, Miguelzinho não bebia, não fumava e nem cheirava um rapé tão forte que ele chama de "marvado".
Dentro das minha limitações, estou tentando entrar em contato com alguns amigos que residem ali pelas bandas do nordeste mineiro no intuito de ajudar Miguelzinho retornar ao caminho do bem e da serenidade. Assim, penso que ele poderá retornar ao seu antigo ofício de sacristão contratado pelo bondoso padre Zoel que tem uma grande afinidade com os mais pobres da região. Penso também fazer um apelo ao meu velho conhecido Zejúlio que nas últimas décadas tem sido um tri campeão para prefeito da cidade. Meu amigo Dedeu, que faz ponto perto de uma banca de jornais, diz que Zejúlio tem feito uma excelente administração. Segundo Dedeu, o prefeito Zejúlio em poucos meses da tri administração, inaugurou com grandes festejos o famoso restaurante popular do sopão para os menos favorecidos ou pobres no sentido da palavra. Deu tão certo que o restaurante do sopão popular fica dentro do mercado municipal. 
Confesso que há muito tempo não tenho contato com Zejúlio. Lembro muito de Dona Santinha e seo Juca, genitores do mesmo. Segundo meu amigo Dedeu," Zejúlio tá beirando os setenta anos, mas, continua bunitão e vaidoso". Tal afirmação me faz lembrar da década de 70 e de um amigo que quando avistava Zejúlio cantando nas serestas da cidade, Dizia: "Ai gente, machuca coração!!!". Sei que, machucando ou não, vou tentar introduzir Miguelzinho na lista de Zejúlio. É bem provável que será mais um para pegar no cabo de Zejúilo, aliás, no cabo da vassoura em faxinas pela cidade. Uma boquinha a mais não vai pesar tanto no orçamento. Afinal, Miguelzinho tem competência e não é parente.Vou também pedir uma boquinha para Miguelzinho no restaurante do sopão popular. Afinal, Zejúlio sempre adorou os pobres!

Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho) - Texto dedicado ao nosso bom amigo e jornalista José Cangussú. Um ícone da cultura em Teófilo Otoni e Vales do Mucuri, Jequitinhonha e São Mateus- Texto escrito em Barbacena-MG aos 27/01/2014.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

AVENIDA JOÃO XXIII EM TEÓFILO OTONI

Nasci e passei grande parte da minha infância e juventude no hoje bairro Teófilo Rocha, onde também hoje se situa a Avenida João XXIII em Teófilo Otoni.Sempre confessei que a saudade do lugar e de todos os moradores foi uma constante em minha vida. Semana passada, estive lendo uma matéria jornalística (muito boa por sinal) do jornal " O Diário" de Teófilo Otoni e editada no Site " Teófilo Otoni noticias e região " postada pelo senhor Tião Soares, onde há comentários sobre a região da Avenida João XXIII.
A matéria diz que "há uma luz no fim do túnel" e tece comentários sobre envolvimento de jovens com tráfico de drogas, o valioso trabalho das polícias civil e militar, além de comentários e sugestão de moradores que são de grande valia em prol de encontrar soluções para amenizar a violência proveniente desta fatalidade que impera não só nos bairros mais humildes, mas em condomínios luxuosos e mansões da elite brasileira.
Sempre acreditei que o túnel da pobreza, da miséria, da exclusão social não foi criado por Deus. A luz, tão decantada por muitos como a presença de Deus, jamais poderia ficar no fim do túnel e sim no início, iluminando e clareando os passos e caminhos dos filhos e filhas dos operários da Avenida João XXIII. Aquela avenida, e isto não é de hoje, sempre sofreu um certo preconceito em Teófilo Otoni. Eu lembro que quando jovem, eu chegava à escola no centro e sempre escutava alguém dizer que eu morava na favela do Subaco Fedendo (Morro do Cemitério) ou favela do Eucalipto (Morro do Eucalipto). A discriminação quanto à região é bem antiga. Havia um morador mais antigo e que sofreu muito nas garras do regime da ditadura militar que sempre dizia; " Aqui, do bairro Teófilo Rocha, parte sempre um grito contra todo tipo de opressão. Grito pela democracia e direitos plenos de cidadania para o povo excluído". Um povo que situava entre as antigas favelas do Subaco Fedendo e Eucalipto.
É de grande valia o trabalho da nossa briosa polícia militar e da nossa aguerrida policia civil de Minas Gerais, desde que este trabalho tenha também o intuito de interagir com a comunidade. Uma U.P.P do Rio de Janeiro, ao prender, torturar e assassinar o ajudante de pedreiro Amarildo deu um péssimo exemplo que levou a comunidade da Rocinha sentir medo e querer distância de militares. Péssimo exemplo que ganhou as páginas até mesmo da mídia internacional. Sou leigo no assunto de segurança, mas, pela vivência de vida e tudo que já presenciei em relação a muitos policiais, acredito que o ranço do regime de opressão ( ditadura militar) ainda persiste em muitas corporações militares. Ghandi ganhou a independência da Índia sem dar um tiro ou um bofetão.
A Avenida João XXIII, hoje, é caminho para uma Universidade Federal em Teófilo Otoni. Os imóveis ali foram super valorizados. Hoje, você nem precisa ir ao centro de Teófilo Otoni para fazer compras. Na Avenida João XXIII você encontra lojas de confecções, Supermercado grande, boas mercearias, padarias, sacolão de verduras e legumes, farmácias, salões de beleza, Lan house, depósitos de gás, mecânicos, serralheiros, bares aconchegantes, advogados, posto de saúde, igreja católica, igrejas evangélicas, escolas municipal e estadual, A.P.J, Associação de moradores, transporte público (ônibus coletivo) e um vereador nascido e criado no bairro que se chama Alexandre Amaral, o humilde e bom amigo Lelé da saúde. 
Quando há oportunidade, retorno a Teófilo Otoni e visito minha querida Avenida João XXIII ali pelas bandas da pracinha, da subida do morro de Eucalipto, do morro do cemitério ou morro da igrejinha. Eu costumo colocar uma bermuda, uma sandália surrada de couro e passeio sem medo de ser feliz abraçando todos os moradores sem discriminação. A luz do meu túnel interior fica no início dos meus olhos. Os olhos da justiça social.

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho (Téo Garrocho)- Texto dedicado à minha saudosa amiga Dona Dos Anjos, uma antiga militante do Partido dos Trabalhadores e ativista social e politica por décadas na região da Avenida João XXIII em Teófilo Otoni. Texto escrito em Barbacena-MG aos 23/01/2014.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

BATE PAPO NA PRAÇA TIRADENTES EM TEÓFILO OTONI

Conheço várias partes do Brasil. Vez ou outra alguém fala para mim que esteve em algum lugar e que lá é assim e assado de bom. Acredito, até pelo estilo de vida, que sou uma pessoa modesta, e humildemente digo á pessoa que também já estive naquele lugar assim e assado de bom referido por ela. Diversas vezes observei estampado nos rostos das pessoas um certo espanto ao saber que conheço muitas regiões da minha pátria. Interessante. Observo que no Brasil, viagens turísticas parecem ainda ser privilegio de uma classe social mais abastada. Ledo engano na minha opinião, aqueles que como eu não juntam "tesouros materiais" parecem saber aproveitar este dom maravilhoso que Deus nos proporcionou, ou seja, a vida.
Outro dia, meu amigo Chicão, um bom pedreiro que estava fazendo um pequeno serviço na minha modesta moradia, entre uma rebocada daqui e outra dali, disse para mim que vai voltar a morar no Rio de Janeiro. Segundo Chicão, o Rio de Janeiro é de fato uma cidade maravilhosa. Fiquei ali ouvindo e entre uma baforada daqui e outra dali naquele fumo "bão" do mercado de Araçuaí, disse ao meu amigo Chicão que eu, quando mais novo, visitava muito meus parentes que residem no Rio de Janeiro. Até ai tudo bem, mas, quando eu disse que meus parentes moravam na Rua das laranjeiras e na Avenida Atlântica em Copacabana onde tomei muito banho de mar e paquerei muita menina bonita, ai meus amigos o bicho pegou. Foi então que meu amigo Chicão pedreiro retrucou: "Olha seo Téo, o senhor não está enganado? Ali pelas bandas de laranjeiras e Praia de Copacabana só mora granfino e magnata que tem muito dinheiro". Pensei bem e deixei o assunto morrer ali mesmo. Afinal eu tinha que respeitar a humilde cultura do meu amigo operário que na minha opinião não é tão pequena se comparada a muitos engravatados que vivem de aparência dizendo que " são isso e aquilo", "tenho isso e aquilo", quando na verdade não passam de comedores de couve. E olha lá...
Vez em quando eu lembro de um certo político lá de Araçuaí que era (não sei se ainda é) um tremendo pão duro. Vez ou outra ele parava o carro perto do açougue e comprava uma naca de carne moída. Eu, ali dentro do carro de carona, ficava matutando comigo: O ser humano é complicado mesmo. Um homem tão rico materialmente e comendo carne moída. Nada contra a carne moída que até adoro misturada a um angu e quiabo. Como isso foi a uns 16 anos atrás, é bem provável que os bens materiais aumentaram para serem divididos aos herdeiros que na certa vão querer degustar mesmo é um bom churrasco de picanha e filé "minhom".Verdade ou mentira?
Ilustrando mais a complicação do ser humano, outro dia em meu trabalho, entreguei uma correspondência jornal do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais a um odontólogo (dentista). No verso do pequeno jornal, havia uma fotografia do Arnaldo de Almeida Garrocho que foi (ou é) presidente do tal Conselho Regional de Odontologia de Minas. Com alegria e satisfação, eu disse ao dentista que o Arnaldo era meu primo. Ele, o dentista, na maior cara de pau falou: "Me engana que eu gosto seo Téo, esse cara aqui é um grande mestre na área de odontologia". Voltei a pensar que o ser humano é mesmo complicado. Caso eu estivesse engravatado e de Camaro amarelo, ele acreditaria. Ou não?
Assim, vou colecionando espantos em relação à minha modesta pessoa. Tanto é que um outro falou para mim que iria realizar um sonho de muitos anos. Ele iria conhecer o estado de Santa Catarina e participar daquela famosa festa alemã com muita música e cerveja. Pois bem, quando eu disse a ele que já morei em Blumenau, o sujeito simplesmente começou a sorrir e sorrir muito mangando da minha cara. Pensei bem e deixei para lá. Antes dele afastar, eu disse: " Se você não fizer reserva em hotel de Blumenau, vai acabar ficando hospedado em Ilhota ou Gaspar, pequenas cidades do Vale do Itajaí, antes de chegar a Blumenau". O sujeito escutou e sorriu mais ainda, na verdade o granfino não estava acreditando em mim.
E para terminar este lero lero de complicação do ser humano, lembrei de um amigo operário que era segurança do trabalho na última fábrica onde trabalhei. Certa vez, a gente estava trocando um dedinho de prosa e ele começou a elogiar o presidente Lula. Foi então que no finalzinho do dedinho de prosa, falei para ele que eu conhecia o Lula e até tinha fotografias ao lado dele.Ah! pra que! o meu amigo então disse:" olha Garrocho, vê se enxerga meu filho. Tirar fotografia ao lado de Lula não é para qualquer um". E ainda foi embora sorrindo e dizendo que eu era mesmo um grande gozador.
Á noitinha em minha casa, matutei bem e resolvi no outro dia levar as fotografias ao lado do Lula e uma papelada velha que ainda guardo dos meus tempos de militância política. Quando mostrei ao meu amigo, ele quase caiu para trás e saiu mostrando a todos os os operários da fábrica. Foi então que naquela fábrica, eu passei a ser conhecido pelo apelido de "amigo do Lula".
Ah! quase ia esquecendo. Ganhei no final deste ano, dois chaveiros. Um veio de Moscou na Rússia. Presente de uma amiga ativista social e outro veio de Blumenau. Lembram do cara que ficou sorrindo e mangando da minha cara? Pois é, ele não achou vaga nos hotéis de Blumenau. Ficou hospedado em Ilhota, pertinho de Blumenau. "Igualzinho você falou seo Téo e ai lembrei do senhor e trouxe este chaveiro como lembrança. O senhor é mesmo um cara viajado". Pois bem, ainda continuo acreditando que o ser humano é muito complicado. Ah! se eu tivesse um Camaro amarelo!!!

Autor;Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado à minha inesquecível ex.Professora Dona Dulcina Regina Molina em Teófilo Otoni. Dona Regina Molina, um ícone da cultura na cidade do amor fraterno. Texto escrito em Barbacena aos 22/01/2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

GRAZIELLI BATISTA, MINHA QUERIDA PSICÓLOGA

Realizei o sonho. Não meu e sim da minha família. Há muito tempo vinha pensando no assunto, tendo em vista que vez ou outra escutava sons de línguas malignas e afiadas balangando nos meus ouvidos em questionamento ao meu velho carrinho dos anos 70. Confesso que sempre fui um passageiro da utopia em relação a sonhos e para dispor do meu velho carro foi uma verdadeira guerra íntima emocional entre mim e a tão decantada razão. Meu velho carro ajudou-me muito nos meus trabalhos, passeios com a família e meus bons amigos que são meu cachorro Bob Marly ( isto mesmo) e minha gata Doçura.
Este fato de troca de carro parece ter abalado a mim e aos meus bichos. Venho observando que meu velho cachorro Bob tem andado pelo cantos da minha modesta moradia e até mesmo a gatinha Doçura tem compartilhado da melancolia do Bob Marly, tendo em vista que seu miado ficou meio rouco de uns tempos para cá. Pode ser que os dois, Bob e Doçura estejam chorando ás escondidas.
Tanto Bob como Doçura já haviam acostumado com o carro velho em que fizeram memoráveis passeios, inclusive passeios pela praia de Jacaraípe no estado do Espírito Santo. Assim, sabendo dos acontecimentos em família, minha sábia mulher Maria, mais conhecida por Dadá, diz para mim: "Olha preto, "o uso do cachimbo faz a boca torta" e "esses bichos ficaram assim depois que você comprou carro novo e aposentou o velho".
Verdade ou não, resolvi pedir conselhos á minha boa amiga e psicóloga Doutora Grazieli Batista Cardoso que cuida da alma da pessoa, inclusive da minha. É possível  que ela também entenda a depressão dos meus bichos a quem dedico um carinho muito grande. Penso que quando eles sofrem, eu também sofro com eles.
Retirei o carro novo da garagem e levei junto comigo o cachorro Bob e a gata Doçura. Até o caminho ao consultório da Doutora Grazieli, não escutei ou vi nenhuma reação dos bichos tão alegres quando passeavam no carro velho. Os dois ali deitados, emburrados e sem dizer uma palavra, aliás um latido ou miado.
Dirigindo e matutando comigo mesmo, cheguei à conclusão que meus bichos não gostaram, assim como eu, do meu carro novo. Na realidade, pessoalmente penso que nem tudo que é bonito ou luxuoso trás felicidade. Pode ser que os animais tenham também este "pensamento", ou não?. Assim, ao chegar no consultório, os bichos nem a pau sairão do carro. Fui recebido muito bem pela Doutora que convidou-me a deitar num confortável sofá para abrir minha mente sobre as coisas da minha vida.
Fiquei ali deitado e contando uma porção de histórias até chegar na questão do carro velho, do carro novo, dos meus bichos e ela, a doutora, só ali anotando numa cadernetinha. Após um tempo, a Doutora perguntou se na minha infância eu já tive carrinhos de brinquedo. Doideira ou não da Doutora, respondi que eu tive uma patinete velha feita de madeira com volante de madeira que era minha paixão. E, num certo dia alguém roubou minha patinete. Como eu andava muito triste, meus pais compraram uma bicicleta nova para mim. Mas, tudo em vão. A tristeza não passava, a bicicleta nova não trazia alegria e nem me fazia esquecer da minha velha patinete de madeira.
Assim, Doutora Grazieli pediu que eu "acordasse" e aconselhou-me a deixar o carro novo com meus filhos e continuar saindo com meu carro velho. Segundo ela, eu não levo jeito para coisas muitos luxuosas na minha imaginação. Pensando bem, acho que minha praia é mesmo um feijãozinho com arroz e uma galinha caipira com angu e quiabo. Então, na volta para minha modesta moradia, olhei para meu cachorro Bob e minha gata Doçura que dormiam a sono solto, diferente daqueles cachorros magrelos e peludos nas janelas de carros luxuosos das madames e magnatas da vida e pensei: Vou fazer o que gosto e que me trás felicidade.
Encostei o carro novo. Liguei o carro velho. meu coração bateu forte. Mais forte ainda quando meu cachorro Bob Marly e minha gata doçura adentraram na maior alegria no seu interior. Antes de sair, minha esposa Maria, a Dadá disse: "Num falei preto, o uso do cachimbo faz a boca torta". Verdade ou não, amanhã vou deitar no sofá da psicóloga e dizer que estou mais feliz e sentindo muita saudade da minha patinete velha de madeira. Será que a Doutora vai entender???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado ao meu amigo Dr. Walcir Costa, um grande amigo e médico Psiquiatra em Teófilo Otoni-MG. Texto escrito em Barbacena-MG aos 17/01/2014.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

SONHO DE MATAR MACACO

Sonhar é bom. Eu, por exemplo, já tive milhares de sonhos na minha vida terrena. Quem nunca sonhou alguma coisa na vida?. Penso que sonhar faz parte da vida de todos nós, independente de posição social, raça ou credo. Sendo assim, mente á obra e sonho para que te quero.
Meu amigo Timotinho, aquele mesmo que quando surta e fica aparando cuspe ao alto com a boca, sempre me relatava que o sonho que mais gostava era aquele em que ele morria esfaqueado com as tripas expostas para fora. Segundo ele, ao acordar sentia-se como tivesse nascido de novo e passava a gostar mais da vida. Analisando o sonho do meu amigo Timotinho, acho que sonho tem muito a ver com o cotidiano da gente e até mesmo com o exercício da nossa profissão. Timotinho fazia bico de trabalho matando porcos no antigo chiqueiro do senhor Joaquim Duarte, ali pelas bandas da antiga grota da dona Verônica em Teófilo Otoni.
O senhor Amaro que morou ali pelas bandas da antiga favela do Subaco Fedendo em Teófilo Otoni, passou por terríveis problemas mentais. Senhor Amaro era um trabalhador exemplar e cuidava de muitos jardins e gramados nas residências mais luxuosas. Resumindo, ele tinha contato com pessoas mais abastadas, mais sadias, mais bem vestidas e mais bonitas aparentemente. De uma hora para a outra, o senhor Amaro começou a perguntar para o povo da favela " se alguém tinha visto uma moça bonita montada num cavalo alazão". Até ai tudo bem até o momento em que ele começou afirmar categoricamente que " aquela moça era filha de um coronel e que era sua namorada". Ai, o bicho pegou e o povo começou a comentar em boca pequena e ao pé do ouvido que o senhor Amaro havia ficado doido. E assim não deu outra com as  autoridades levando o senhor Amaro para ser internado num manicômio de Barbacena. Nunca, nunca mais voltou para Teófilo Otoni...
Estou escrevendo este texto após ter assistido um programa de televisão onde uma matéria jornalística muito bem feita mostra o trabalho daqueles abnegados médicos que dão assistência a comunidades ribeirinhas na região amazônica. Realmente, um belo trabalho profissional dos médicos em prol daquele povo tão esquecido pelos poderes públicos no Brasil. Mas, mudando de pau para cavaco, o que tem a ver o que eu comecei no texto com o que os médicos estão realizando na região amazônica?
Pois bem, na matéria jornalística, apareceu sendo entrevistado um senhor que foi operado pelos bons médicos e ficou curado de catarata. Aquele senhor quase não enxergava mais e fatalmente perderia de vez a visão. Foi então que a jovem repórter perguntou a ele: " O senhor está me enxergando?", e ele: "sim, a senhora é uma moça muito bonita". Então a moça repórter perguntou: "E agora, o senhor vai voltar para a casa na selva e qual o maior sonho do senhor quando lá chegar?". E o senhor respondeu: " Meu maior sonho é pegar minha espingarda e matar um macaco".
Pensando bem, acredito firmemente que tanto Timotinho e senhor Amaro não eram "tão doidos" como o povo comentava ao pé do ouvido. Ou eram???

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado a meu bom amigo Januário Basílio ( residente em Barbacena), um excelente profissional na arte da fotografia, Jornalismo e pensamentos positivos para uma cidade de Barbacena melhor para todos nós. Texto escrito em Barbacena aos 08/01/2014.

sábado, 4 de janeiro de 2014

HISTÓRIA DO BAIRRO FUNCIONÁRIOS EM TEÓFILO OTONI

Recebo com satisfação noticias do Aristides Silva. Não sei explicar o que vem ocorrendo ultimamente com meus velhos amigos que de uma hora para outra começaram a dar notícias. Interessante que a maioria faz questão de dizer ao final do contato que " ainda estão vivos". Menos mal. Assim consigo, junto com eles, relembrar o passado da infância e juventude em Teófilo Otoni.
Aristides ou Tidão como era mais conhecido, foi um "mestre" numa tal infeliz pontaria. Não de futebol e sim na pontaria de matar passarinhos naquela antiga floresta onde hoje é o Bairro Funcionários em Teófilo Otoni. Nem bem o Tidão apontava o estilingue, seu irmão Miravaldo já ia abrindo a "boca" do bornal para guardar mais um pobre pássaro abatido pela pontaria implacável do Tidão que festejava dizendo: "acertei bem no coco".
Foi naquela floresta que passei a maior parte da minha infância. Era ali que eu junto com a molecada da Vila Verôncia, Subaco Fedendo e Cataquiabo, armava arapucas e sentia medo das cobras e possível onça pintada na minha imaginação infantil. Tidão era também um exímio fabricante de pelotas de barro que após mexidas com as duas mãos, eram colocadas em uma fogueira para ficarem afiadas e resistentes no momento fatal de acertar "o coco do bicho", segundo ele.
Eu participava daquele movimento infantil, mas, confesso que nunca gostei de matar pássaros. Eu sentia muita tristeza quando o irmão do Tidão buscava o passarinho morto. Eu olhava o passarinho com aqueles olhos arregalados parecendo implorar piedade e eu ficava triste, muito triste mesmo.
O que eu gostava mesmo era de pegar uns coquinhos chamados por nós de brejaúba e um tal coco "cançanção". Vez ou outra, a gente subia nuns coqueiros para pegar um tal coquinho "catarro" que era muito doce, babento e tinha uma cor amarelada quando maduros.
Com o passar do tempo, a floresta foi acabando com muito desmatamento pelo povo que cortava as árvores e cozinhavam em fogão a lenha. Hoje ali é o Bairro Funcionários e penso que grande parte dos moradores não conhecem a história antiga do bairro e nem sabem que ali existiu uma grande floresta que encantava a todos, principalmente as crianças com eu, Tidão e muitos outros da antiga Vila Verônica em Teófilo Otoni.

Autor:Walter Teófilo Rocha Garrocho(Téo Garrocho)- Texto dedicado aos moradores do Bairro Funcionários em Teófilo Otoni e a todos aqueles que preservam a história e memória da cidade de Teófilo Otoni. Texto escrito em Barbacena aos 04/01/2014.